quarta-feira, 14 de junho de 2017

CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 14 de junho de 2017
Boletim da Santa Sé
(Fonte Canção Nova)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje fazemos esta audiência em dois lugares, mas ligados pelas telas: os doentes, para que não sofram tanto no calor, estão na Sala Paulo VI, e nós aqui. Mas permanecemos todos juntos e nos conecta o Espírito Santo, que é aquele que sempre faz a unidade. Saudemos aqueles que estão na Sala!
Ninguém de nós pode viver sem amor. E uma bruta escravidão em que podemos cair é aquela de acreditar que o amor deve ser merecido. Talvez boa parte da angústia do homem contemporâneo deriva disso: acreditar que se não somos fortes, atraentes e belos, então ninguém se ocupará de nós.
Tantas pessoas hoje procuram uma visibilidade somente para preencher um vazio interior: como se fôssemos pessoas eternamente necessitadas de confirmações. Porém, imaginem um mundo onde todos mendigam motivos para suscitar atenção dos outros e ninguém, em vez disso, está disposto a querer o bem gratuitamente a uma outra pessoa? Imaginem um mundo assim: um mundo sem a gratuidade de querer bem! Parece um mundo humano, mas na verdade é um inferno. Tantos narcisismos do homem nascem de um sentimento de solidão e de orfandade. Por trás de tantos comportamentos aparentemente inexplicáveis está uma pergunta: é possível que eu não mereça ser chamado pelo nome, isso é, ser amado? Porque o amor sempre chama pelo nome…
Quando a não ser amado ou não sentir-se amado é um adolescente, então pode nascer a violência. Por trás de tantas formas de ódio social e de delinquência muitas vezes há um coração que não foi reconhecido. Não existem crianças más, como não existem adolescentes malvados, mas existem pessoas infelizes. E o que pode nos tornar felizes se não a experiência do amor dado e recebido? A vida do ser humano é uma troca de olhares: alguém que nos olhando nos arranca um sorriso e nós gratuitamente sorrimos a quem está fechado na tristeza e assim lhe abrimos um caminho de saída. Troca de olhares: olhar nos olhos e se abrem as portas do coração.
O primeiro passo que Deus dá para nós é aquele de um amor antecipado e incondicionado. Deus ama primeiro. Deus não nos ama porque em nós há qualquer razão que suscita amor. Deus nos ama porque Ele mesmo é amor, e o amor tende, por sua natureza, a difundir-se, a doar-se. Deus não liga nem mesmo a sua benevolência à nossa conversão: essa é uma consequência do amor de Deus. São Paulo diz de maneira perfeita: “Deus demonstra o seu amor por nós no fato de que, enquanto éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5, 8). Enquanto ainda éramos pecadores. Um amor incondicional. Éramos “distantes”, como o filho pródigo da parábola: “Quando ainda estava distante, seu pai o viu, teve compaixão…” (Lc 15, 20). Por amor nosso Deus realizou um êxodo de Si mesmo para vir nos encontrar nesse lugar onde era insensato que Ele passasse. Deus nos quis bem também quando estávamos errados.
Quem de nós ama dessa maneira, se não quem é pai ou mãe? Uma mãe continua a querer bem seu filho mesmo quando este filho está no cárcere. Eu recordo tantas mães, que faziam fila para entrar na prisão, na minha diocese anterior. E não se envergonhavam. O filho estava na prisão, mas era seu filho. E sofriam tantas humilhações nas pesquisas, antes de entrar, mas: “É o meu filho! ”. “Mas, senhora, seu filho é um delinquente! ” – “É o meu filho! ”. Somente este amor de mãe e de pai nos faz entender como é o amor de Deus. Uma mãe não pede o cancelamento da justiça humana, porque todo erro exige uma redenção, porém uma mãe nunca deixa de sofrer pelo próprio filho. Ama-o mesmo quando é pecador. Deus faz a mesma coisa conosco: somos os seus filhos amados! Mas pode ser que Deus tenha alguns filhos que não ame? Não. Todos somos filhos amados de Deus.
Não há maledição alguma sobre nossa vida, mas só uma benévola palavra de Deus, que deu sentido à nossa existência. A verdade de tudo é aquela relação de amor que liga o Pai com o Filho mediante o Espírito Santo, relação em que nós somos acolhidos pela graça. Nele, em Cristo Jesus, nós fomos queridos, amados, desejados. Há alguém que imprimiu em nós uma beleza primordial, que nenhum pecado, nenhuma escolha errada poderá jamais cancelar completamente. Nós somos sempre, diante dos olhos de Deus, pequenas fontes feitas para jorrar água boa. Disse Jesus à mulher samaritana: “A água que eu [te] darei se tornará em [ti] uma fonte de água que brota para a vida eterna” (Jo 4, 14).
Para mudar o coração de uma pessoa infeliz, qual é o remédio? Qual é o remédio para mudar o coração de uma pessoa que não é feliz? [Respondem: o amor] Mais forte! [gritam: o amor] Bravo! Bravo, bravo, todos! E como se faz uma pessoa sentir que alguém a ama? É preciso antes de tudo abraçá-la. Fazê-la sentir que é desejada, que é importante, e não será mais triste. Amor chama amor, de modo muito mais forte de quanto o ódio chama a morte. Jesus não morreu e ressuscitou por si mesmo, mas por nós, para que os nossos pecados sejam perdoados. É, portanto, tempo de ressurreição para todos: tempo de se elevar os pobres do desânimo, sobretudo aqueles que estão no sepulcro de um tempo muito maior do que três dias. Sopra aqui, sobre nossos rostos, um vento de libertação. Germina aqui o dom da esperança. E a esperança é aquela de Deus Pai que nos ama como nós somos: nos ama sem
Santíssima Trindade
Trindade é o sentido e a missão da Igreja, sacramento da unidade do gênero humano. Unidade da Trindade, pois, a Igreja é reunida pela unidade da Trindade! Essa relação de amor, em vista da vivência da comunhão, revela-se para nós como fundamento e estímulo da prática da caridade fraterna e do apostolado.  Trindade!  Deus belo e grande que não cabe em nossas categorias humanas.   Nem sabemos designa-lo.  O Bem, o Sumo Bem, a Ternura, a Paz. Uma eterna e adorável comunhão de amor. O Pai, eternamente Pai, gera eternamente o Verbo e entre ambos o sopro do Espírito.   O que nos resta é prostrarmo-nos em silenciosa e profunda adoração. Uma fornalha de amor. Um da Trindade veio morar em nós e nos levar para essa fornalha de amor.   No alto da cruz esse Filho amado nos entregou o Espirito. Confessar a Trindade é acreditar que Deus é um mistério de comunhão e amor.
Cremos no Pai, nesse Altíssimo e Bom Senhor, que é Pai. Cria agora os céus e a terra. Não estamos sós em nossa história, nesse mundo, em vitórias e fracassos, problemas e conflitos. Não vivemos esquecidos. Temos um Pai que tem os traços do pai do filho pródigo, que faz chover   sobre justos e pecadores, Pai que sustenta a vida, a nossa vida e a vida de tudo o que existe. Pai vivo, autor e alimentador da vida.  Ama. É o eterno amante. Nunca vai retirar de nós o seu amor e sua fidelidade.   Dele só brota amor. Fomos feitos à sua imagem e semelhança, por isso somos destinados ao amor. Só amando acertamos o passo na vida.  Jesus gostava de chama-lo de pai querido, de paizinho.
O Verbo, a Palavra que o Pai pronuncia é o Filho.   Ele é o grande presente que Deus deu ao mundo.  Viveu entre nós, conheceu a trama da vida de todos nós. Nasceu, cresceu em idade e graça, percorreu os caminhos da terra, falou, rezou, testemunhou, relacionou-se, demonstrou desafeto quando o projeto do Pai não era vivenciado, foi amado e rejeitado, teve amigos mais íntimos e mostrou um carinho todo especial para com os pecadores, os que falham na vida.  Ele se fez imagem do Pai.  Quem o via, via o Pai.  Seu nome é Emanuel.  Depois de sua ressurreição designamo-lo de Senhor.  Um Deus que nos amou até o fim.  Olhando para ele vemos o Pai. Nele podemos sentir Deus humano, próximo, amigo.  Fez-se mensageiro do Pai que nos quer ver como irmãos que se estimam e se amam.
O Espírito Santo é comunhão do Pai e do Filho. Ele é o amor eterno entre o Pai amante e Filho amado, aquele que revela que o amor divino não é possessão ciumenta do Pai nem açambarcamento egoísta do Filho, “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm  5,5).


segunda-feira, 12 de junho de 2017

05/06/2017
Papa: Praticar as obras de misericórdia é imitar Jesus mais de perto
Por Rádio Vaticano
As obras de misericórdia não sejam um dar esmolas para descarregar a consciência, mas um participar do sofrimento dos outros, mesmo a seu próprio risco e deixando-se incomodar. Foi o que disse o Papa na missa desta manhã de segunda-feira na Casa Santa Marta.

O ponto de partida da homilia do Papa Francisco foi a primeira leitura do Livro de Tobias. Os hebreus foram deportados para a Assíria: um homem justo, chamado Tobias, ajuda compatriotas pobres e – com o risco da própria vida – secretamente enterra os hebreus que são mortos impunemente. Tobias fica triste diante do sofrimento dos outros. Daqui a reflexão sobre 14 obras de misericórdia corporais e espirituais. Realizá-las – explica Francisco – não significa somente compartilhar o que se tem, mas compadecer:
“Isto é, sofrer com quem sofre. Uma obra de misericórdia não é fazer algo para descarregar a consciência: uma boa ação, assim estou mais tranquilo, tiro um peso das costas… Não! É também sofrer a dor dos outros. Compartilhar e compadecer: caminham juntos. É misericordioso aquele que sabe compartilhar e também se compadecer os problemas de outras pessoas. E aqui a pergunta: “Eu sei compartilhar? Eu sou generoso? Eu sou generosa? Mas também, quando vejo uma pessoa que está sofrendo, que está em dificuldade, também eu sofro? Sei colocar-me nos sapatos dos outros? Na situação de sofrimento?”.
Aos judeus era proibido enterrar seus compatriotas: eles mesmos poderiam ser mortos. Então Tobias corria perigo. Realizar obras de misericórdia – disse o Papa – não significa apenas partilhar e ter compaixão, mas também arriscar:
“Mas, muitas vezes se corre o risco. Pensemos aqui, em Roma. Em plena guerra: quantos se arriscaram, começando por Pio XII, para esconder os hebreus, para que não fossem mortos, para que não fossem deportados. Eles arriscaram a sua pele! Mas era uma obra de misericórdia, salvar a vida daquelas pessoas! Arriscar”.
O Papa Francisco enfatiza dois outros aspectos. Quem faz obras de misericórdia pode ser ridicularizado por outros – como aconteceu com Tobias – porque é considerada uma pessoa que faz coisas loucas, em vez de estar tranquilo. E é alguém que se incomoda:
“Fazer obras de misericórdia é desconfortável. “Mas, eu tenho um amigo, um amigo doente, gostaria de visitá-lo, mas … não tenho vontade … prefiro descansar ou assistir TV … tranquilo…”. Fazer obras de misericórdia é sempre desconfortável. É inconveniente. Mas o Senhor sofreu a inconveniência por nós: foi para a cruz. Para nos dar misericórdia”.
Quem “é capaz de fazer uma obra de misericórdia” – disse o Papa – é “porque sabe que ele recebeu misericórdia antes; que foi o Senhor a conceder misericórdia a ele. E se nós fazemos essas coisas, é porque o Senhor teve misericórdia de nós. E pensemos aos nossos pecados, aos nossos erros e a como o Senhor nos perdoou; perdoou-nos tudo, teve esta misericórdia” e “nós façamos o mesmo com os nossos irmãos”. “As obras de misericórdia – concluiu Francisco – são as que tiram você do egoísmo e nos fazem imitar Jesus mais de perto”.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

19/05/2017
Papa: o Evangelho une e a ideologia divide
Por Rádio Vaticano
A graça da conversão “à unidade da Igreja, ao Espírito Santo e à verdadeira doutrina”. Esta foi a oração do Papa na homilia da missa celebrada na manhã desta sexta-feira (19/05) na Casa Santa Marta.
 Francisco comentou a Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, e observou que também na primeira comunidade cristã “havia ciúmes, lutas de poder, algum espertinho que – explicou – queria ganhar e comprar o poder”. Portanto, “sempre houve problemas”: “somos humanos, somos pecadores” e as dificuldades existem, inclusive na Igreja, mas ser pecadores nos leva à humildade e a nos aproximar do Senhor, “como salvador dos nossos pecados”. A propósito dos pagãos que o Espírito Santo convida à conversão, o Pontífice recordou que, no trecho, os apóstolos e os anciãos escolhem alguns deles para ir até Antioquia com Paulo e Barnabé. Os grupos descritos são dois:
“O grupo dos apóstolos que quer discutir o problema e os outros que criam problemas, dividem, dividem a Igreja, dizem que aquilo que os apóstolos pregam não é o que disse Jesus, que não é a verdade”.
Os apóstolos discutem entre si e, no final, entram num acordo:
“Mas não é um acordo político, é a inspiração do Espírito Santo que os leva a dizer: nada de coisas, nada de exigências. Mas só o que dizem: não comer carne naquele período, a carne sacrificada aos ídolos porque era fazer comunhão com os ídolos, abster-se do sangue, dos animais sufocados e das uniões ilegítimas”.
O Papa destacou a “liberdade do Espírito” que leva ao “acordo”: assim, diz, os pagãos podem entrar na Igreja. Tratou-se, no fundo, de um “primeiro Concílio” da Igreja – “o Espírito Santo e eles, o Papa com os bispos, todos juntos” – reunidos “para esclarecer a doutrina” e seguido, no decorrer dos séculos, por exemplo pelo de Éfeso e do Vaticano II, porque “é um dever da Igreja esclarecer a doutrina” para “se entender bem o que Jesus disse nos Evangelhos, qual é o Espírito dos Evangelhos”.
“Mas sempre existiram essas pessoas que, sem qualquer autoridade, turbam a comunidade cristã com discursos que transtornam as almas: “Eh, não. Isso que foi dito é herético, não se pode dizer, isso não, a doutrina da Igreja é esta…”. E são fanáticos por coisas que não são claras, como esses fanáticos que semeavam intrigas para dividir a comunidade cristã. E este é o problema: quando a doutrina da Igreja, a que vem do Evangelho, que o Espírito Santo inspira, esta doutrina se torna ideologia. E este é o grande erro dessas pessoas”.
Esses indivíduos – explicou – “não eram fiéis, eram ideologizados”, tinham uma ideologia “que fechava o coração para a obra do Espírito Santo”. Ao invés, os apóstolos certamente discutiram de maneira enérgica, mas não eram ideologizados: “tinham o coração aberto ao que o Espírito dizia.
A exortação final do Papa foi para não se deixar intimidar diante das “opiniões dos ideólogos da doutrina”. A Igreja, concluiu Francisco, tem “o seu próprio magistério, o magistério do Papa, dos bispos, dos concílios”, e devemos caminhar nesta estrada “que vem da pregação de Jesus e do ensinamento e da assistência do Espirito Santo”, que está “sempre aberta, sempre livre”, porque a doutrina une, os concílios unem a comunidade cristã”, enquanto “a ideologia divide”.



Na quarta-feira, 17 de maio, das 19h30 às 21h30, o Auditório Paulo Apóstolo (Rua Dona Inácia Uchoa, 62 – Vila Mariana) será palco do encontro “Retratos de Esperança”, sobre o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais – data estabelecida pelo Concílio Vaticano II (Inter Mirifica, 1963).
Promovido pelo SEPAC, em parceria com a Arquidiocese de São Paulo, a PASCOM, a Revista Família Cristã e a Paulinas-COMEP, o evento contará com a participação do arcebispo Dom Odilo Scherer e do bispo auxiliar Dom Devair Araújo da Fonseca, da Arquidiocese de São Paulo, e do padre coordenador da Pastoral da Comunicação (PASCOM), Luiz Cláudio Braga, que falarão sobre a mensagem que o Santo Padre publica, tradicionalmente, sobre a data.
Também participam do evento, com testemunhos sobre a esperança na comunicação, o jornalista e apresentador da TV Cultura Aldo Quiroga, a colunista da Revista Família Cristã e mestra em Direito Social Valdênia Lanfranchi, a irmã paulina Natividade Pereira e Miguel Ahumada, jornalista da Web Rádio Migrantes.
O Dia Mundial das Comunicações Sociais é o dia dedicado pela Igreja aos meios de comunicação, celebrado em muitos países no Dia da Ascensão do Senhor (domingo que precede a Festa de Pentecostes). Neste ano, o Dia Mundial das Comunicações Sociais cai em 28 de maio e tem como tema “‘Não tenhas medo, que Eu estou contigo’ (Is 43,5). Comunicar esperança e confiança no nosso tempo”.
Em sua mensagem para este Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco diz que há a necessidade de romper o círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo, resultante do hábito de fixar a atenção nas “notícias más” (guerras, terrorismo, escândalos e todo o tipo de alimento das vicissitudes humanas). Não se trata, naturalmente, de promover desinformação ou ignorar o drama do sofrimento, nem de cair em um otimismo ingênuo que não se deixe tocar pelo escândalo do mal. “Num sistema comunicador onde vigora a lógica de que uma notícia boa não desperta a atenção e, por conseguinte, não é uma notícia, e onde o drama do sofrimento e o mistério do mal facilmente são elevados a espetáculos, podemos ser tentados a anestesiar a consciência ou cair no desespero”, diz o papa.
O evento “Retratos de Esperança” será apresentado por Irmã Helena Corazza e terá Cantores de Deus como atração musical. O arcebispo Dom Odilo fica disponível para atender a imprensa durante uma hora, antes do evento (às 18h30).
Estiveram presentes membros da Afamilia Paulina e amigos...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Três verbos que caracteriz@m o dom do discernimento

Reconhecer - O reconhecimento diz respeito antes de tudo aos efeitos que os acontecimentos da minha vida, as pessoas com as quais me encontro, as palavras que ouço ou que leio produzem na minha interioridade: uma variedade de “desejos, sentimentos, emoções” (Amoris laetitia, 143) de natureza muito diferente: tristeza, obscuridade, plenitude, medo, alegria, paz, sensação de vazio, ternura, raiva, esperança, tibieza, etc. Sinto-me atraído ou impelido numa pluralidade de direções, sem que nenhuma delas me pareça como aquela que claramente devo tomar; é o momento dos altos e baixos, e em certos casos de uma autêntica luta interior. Reconhecer requer que se traga à tona esta riqueza emocional e que se mencionem estas paixões, mas sem as julgar. Exige também que se sinta o “gosto” que elas deixam, ou seja, a consonância ou dissonância entre o que eu experimento e aquilo que existe de mais profundo em mim. Nesta fase a Palavra de Deus reveste uma grande importância: com efeito, meditá-la põe em movimento as paixões, assim como todas as experiências de contato com a própria interioridade, mas ao mesmo tempo oferece uma possibilidade de as fazer sobressair, identificando-se nas vicissitudes que ela narra. A fase do reconhecimento coloca no centro a capacidade de escuta e a afetividade da pessoa, sem se subtrair por medo ao cansaço do silêncio. Trata-se de uma passagem fundamental no percurso de amadurecimento pessoal, de maneira particular para os jovens que experimentam com maior intensidade o vigor dos desejos e podem sentir-se também assustados diante deles, talvez renunciando aos grandes passos para os quais contudo se sentem impelidos.
Interpret@r - Não é suficiente reconhecer aquilo que nós experimentamos: é necessário “interpretá-lo” ou, em outras palavras, compreender para o que o Espírito nos chama através daquilo que suscita em cada um. Muitas vezes detemo-nos a narrar uma experiência, ressaltando que “ficamos deveras impressionados”. Mais difícil é compreender a origem e o significado dos desejos e das emoções sentidas e avaliar se eles nos orientam numa direção construtiva ou, pelo contrário, se nos levam a fechar-nos em nós mesmos.
Esta fase de interpretação é muito delicada; exige paciência, vigilância e também uma certa aprendizagem. Devemos ter a capacidade de estar cientes dos efeitos dos condicionamentos sociais e psicológicos. Isto requer que se ponham em campo também as próprias faculdades intelectuais, contudo sem cair no risco de construir teorias abstratas sobre aquilo que seria bom ou bonito fazer: até no discernimento, “a realidade é superior à ideia” (Evangelii gaudium, 231). Na interpretação, não podemos nem sequer descuidar do confronto com a realidade e a consideração das possibilidades que objetivamente temos à disposição.

Para interpretar os desejos e os impulsos interiores é necessário confrontar-se honestamente, à luz da Palavra de Deus, também com as exigências morais da vida cristã, procurando inseri-las sempre na situação concreta de vida. Este esforço impele quem o envida a não se contentar com a lógica legalista do mínimo indispensável, procurando ao contrário o modo de valorizar da melhor maneira os dons pessoais e as próprias possibilidades: por isso, trata-se de uma proposta atraente e estimulante para os jovens.

Este trabalho de interpretação realiza-se num diálogo interior com o Senhor, com a ativação de todas as capacidades da pessoa; no entanto, a ajuda de um especialista na escuta do Espírito constitui um apoio inestimável, que a Igreja oferece e do qual é pouco prudente não lançar mão.

Escolher - Uma vez reconhecido e interpretado o mundo dos desejos e das paixões, o ato de decidir torna-se exercício de autêntica liberdade humana e de responsabilidade pessoal, obviamente sempre situadas e portanto limitadas. Por conseguinte, a escolha subtrai-se à força cega dos instintos, aos quais um certo relativismo contemporâneo acaba por atribuir o papel de critério último, aprisionando a pessoa na volubilidade. Ao mesmo tempo, liberta-se da sujeição a instâncias externas à pessoa e, portanto, heterónomas, exigindo igualmente uma coerência de vida. [...] A decisão deve ser posta à prova dos acontecimentos, tendo em vista a sua confirmação. A escolha não pode permanecer prisioneira numa interioridade que corre o risco de permanecer virtual ou irrealista – trata-se de um perigo acentuado na cultura contemporânea – mas é chamada a traduzir-se em ação, a encarnar, a dar início a um percurso, aceitando o risco de se confrontar com aquela realidade que tinha posto em movimento desejos e emoções. Nesta fase surgirão outros ainda: reconhecê-los e interpretá-los permitirá confirmar a bondade da decisão tomada ou aconselhará a revê-la. Por isso, é importante “sair” também do medo de errar que, como vimos, pode tornar-se paralisante.

Fonte: DOCUMENTO PREPARATÓRIO - SÍNODO DOS BISPOS 2018 - XV ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA - Os jovens, a fé e o discernimento vocacional.


2017: Ano Mariano!
Por Pe. Antônio Lúcio, ssp
Maio: mês de Maria!
Em nosso calendário civil já chegamos no mês de maio. Um mês especial para todos os devotos de Nossa Senhora, pois é o mês tradicionalmente dedicado a ela.  Afirmava o Bem-aventurado Tiago Alberione, fundador da Família Paulina: “Maio a Maria! É possível mudar de continente, achar-se em terra, no mar, no ar; encontrar novas raças, outras civilizações, línguas diferentes, mas sempre a mesma Mãe, sempre corações de filhos, sempre a mesma devoção. Como é consolador!”
Tudo começou há mais de dois mil anos. Tudo teve início com um “sim”. Uma jovem pobre e desconhecida, de nome Maria, da cidade de Nazaré, aceita o convite de Deus para ser a Mãe do Salvador esperado pelo povo de Israel, anunciado pelos profetas, aguardado ansiosamente pelos desvalidos deste mundo.
Com a adesão de Maria à vontade de Deus, acontece o mistério da encarnação do Filho de Deus: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim, segundo a tua palavra” (Lc 1,38). E a consequência da encarnação, diz-nos Pe. Tiago Alberione, é a não separação: “Quem encontra Maria, encontra Jesus”.
Maria é aquela criatura dócil, humilde e obediente, mas, sobretudo, confiante em Deus que nos trouxe a vida nova: Jesus Cristo! A vida de Maria se resume àquilo que deve ser o ideal de todo cristão: tudo por Jesus, tudo com Jesus, tudo em Jesus.
2017: 100 anos de Fátima e 300 anos de Aparecida
 O ano de 2017 é por demais especial para todos os devotos de Nossa Senhora. Estamos celebrando dois grandes acontecimentos que nos aproximam ainda mais de nossa “mãezinha do céu”. Brasil e Portugal estão unidos para a celebração dos dois Jubileus de suas devoções marianas mais populares: o centenário de Fátima e o tricentenário de Aparecida.
Nossa Senhora de Fátima

No dia 13 de maio de 1917 Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos nas montanhas de Fátima, Portugal. Foram sete aparições às crianças Lúcia de Jesus Santos e seus primos, Francisco Marto e Jacinta Marto, sempre no dia 13 de cada mês. O Papa Francisco vai canonizar Francisco e Jacinta Marto no próximo dia 13 de maio em Fátima.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida: Rainha e Padroeira do Brasil!

Em outubro de 1717 uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição apareceu nas redes de três pescadores, nas águas do Rio Paraíba do Sul. Desde então, começou uma história de fé, amor e devoção por Nossa Senhora Aparecida. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) instituiu o “Ano Nacional Mariano”, que teve início aos 12 de outubro de 2016 e será concluído aos 11 de outubro de 2017.
De acordo com o Arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sérgio da Rocha, o período convida a população a voltar o coração para Nossa Senhora. “É um ano para celebrar, para comemorar, para louvar a Deus, mas também para reaprender com Nossa Senhora como seguir Jesus Cristo, como ser cristão hoje”, enfatizou.
Em nota oficial a CNBB afirmou: “A celebração dos 300 anos é uma grande ação de graças. Todas as dioceses do Brasil, desde 2014, se preparam, recebendo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre cidades e periferias, lembrando aos pobres e abandonados que eles são os prediletos do coração misericordioso de Deus. (…) O Ano Mariano vai, certamente, fazer crescer ainda mais o fervor desta devoção e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5)”.
Oração Jubilar: 300 anos de bênçãos!
Senhora Aparecida, Mãe Padroeira, em vossa singela imagem, há 300 anos aparecestes nas redes dos três benditos pescadores no Rio Paraíba do Sul. Como sinal vindo do céu, em vossa cor, vós nos dizeis que para o Pai não existem escravos, apenas filhos muito amados. Diante de vós, embaixadora de Deus, rompem-se as correntes da escravidão! Assim, daquelas redes, passastes para o coração e a vida de milhões de outros filhos e filhas vossos. Para todos tendes sido bênção: peixes em abundância, famílias recuperadas, saúde alcançada, corações reconciliados, vida cristã reassumida. Nós vos agradecemos tanto carinho, tanto cuidado! Hoje, em vosso Santuário e em vossa visita peregrina, nós vos acolhemos como mãe, e de vossas mãos recebemos o fruto de vossa missão entre nós: o vosso Filho Jesus, nosso Salvador. Recordai-nos o poder, a força das mãos postas em prece! Ensinai-nos a viver vosso jubileu com gratidão e fidelidade! Fazei de nós vossos filhos e filhas, irmãos e irmãs de nosso Irmão Primogênito, Jesus Cristo. Amém!