terça-feira, 11 de abril de 2017

Páscoa

Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (10, 9).
Feliz Páscoa


A Páscoa é um dos momentos mais simbólicos para os cristãos. Símbolo do amor de Deus, representado pela morte e ressurreição de Seu filho, Jesus, nos mostra que é possível acreditar na humanidade apesar de todas as dificuldades que enfrentamos no dia a dia. Sentimentos como esperança, fé e amor ao próximo são amplamente difundidos e também ensinados na escola quando essa data se aproxima. Historicamente a Páscoa representava, antes da morte e ressurreição de Cristo, a fartura e a prosperidade vindas a partir do início da primavera.
A páscoa de Cristo deve ser entendida como sinal e antecipação de um mundo novo, povoado por um povo novo num processo de regeneração universal. É o início do “oitavo dia”!     Como discípulo de Cristo, o cristão deve ser novo fermento para nova humanidade.  À medida que celebramos a vida nova interiorizamos o mistério pascal e nos tornamos templos novos do Senhor. Não nos encontramos com um deus impessoal, genérico, motor imóvel, mas com o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso subir das coisas inferiores para as superiores, das realidades exteriores às interiores (cf. Cl 3,1-2).

A espiritualidade pascal não se restringe ao tempo pascal. Necessariamente se expande por todo o ano litúrgico e se desdobra nas diferentes celebrações do mistério de Cristo, na certeza de que “se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais. A morte não tem mais poder sobre ele. Pois aquele que morreu, morreu para o pecado, uma vez por todas, e aquele que vive, vive para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, no Cristo Jesus” (cf. Rm 6,8-11).   

A espiritualidade pascal nos convoca constantemente renovar a nossa adesão a Cristo morto e ressuscitado por nós:  a sua Páscoa é também a nossa Páscoa, porque em Cristo ressuscitado é nos dada a certeza da nossa ressurreição. A notícia da sua ressurreição dos mortos não envelhece e Jesus está sempre vivo; e vivo é o seu Evangelho.

"A fé dos cristãos observa Santo Agostinho é a ressurreição de Cristo". Os Atos dos Apóstolos explicam-no claramente:  "Deus ofereceu a todos um motivo de crédito com o fato de O ter ressuscitado dentre os mortos" (17, 31). A morte do Senhor demonstra o amor imenso com que Ele nos amou até ao sacrifício por nós; mas só a sua ressurreição é "prova certa", é certeza de que quanto Ele afirma é verdade que vale também para nós, para todos os tempos. Ressuscitando-o, o Pai glorificou-o. São Paulo assim escreve na Carta aos Romanos:  "Se confessares com a tua boca o Senhor Jesus e creres no teu coração que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (10, 9).
Que a espiritualidade pascal nos insira na vivência das alegrias do Ressuscitado! Santa Páscoa!!!



terça-feira, 4 de abril de 2017

4 de abril nascimento do
Bem-aventurado Padre Tiago Alberione
Hoje celebramos a memória do nascimento de nosso Fundador Padre Tiago Alberione, fundador da Família Paulina
Dentro do espírito novo do coração e da vida, ser receptivo às riquezas abundantes da experiência espiritual do Padre Alberione, a fim de descobrir, a partir de seu caminho de conformidade a Cristo Mestre e Pastor, Caminho, Verdade e Vida, as veredas da santidade apostólica a que fomos chamados e chamadas como Família Paulina.
Tiago Alberione nasceu em 4 de abril de 1884, em São Lourenço de Fossano, norte da Itália, de uma família de camponeses simples e laboriosos. Vinte quatro horas após o nascimento, foi batizado e recebeu o nome de “Tiago”.  Buscando melhores terras para a lavoura, a família Alberione mudou para a cidade de Cherasco, onde Tiago passou sua infância e adolescência. Foi lá que se manifestou a vocação para o sacerdócio.
Quero ser padre! Foi a resposta que deu à professora, Rosina Cardona, que perguntava aos seus oitenta alunos o que queriam ser quando crescessem.
A resposta, que poderia parecer impensada, veio de um menino de bom coração e piedoso. Com o passar do tempo, a vocação fortificou-se e ele foi encaminhado para o seminário, onde não perdia tempo e procurava aprender de todos e de tudo. Inquietavam Alberione as transformações que aconteciam na sociedade e os apelos do papa, Leão XIII, para que todos se voltassem para Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, salvação da humanidade.
Foi ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1907, com vinte e três anos de idade. Todas as organizações de renovação existentes, então, na Igreja foram acolhidas por padre Alberione, que participou, ativamente, dos movimentos: missionário, litúrgico, pastoral, social, bíblico, teológico e, mais tarde, do movimento ecumênico. Em todos os movimentos Alberione-profeta vislumbrava espaços carentes de evangelização e atualização.
Impulsionado pelo Espírito Santo, tornou realidade sua intuição carismática com a fundação de várias congregações e institutos para, juntos, anunciar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, com os meios da comunicação social. Padres e irmãos Paulinos em 1914; Irmãs Paulinas em 1915; Discípulas do Divino Mestre em 1924; Irmãs Pastorinhas em 1938; e Irmãs Apostolinas em 1957. Fundou, também, os institutos Paulinos de Nossa Senhora da Anunciação e São Gabriel Arcanjo em 1958; os institutos Jesus Sacerdote e Sagrada Família em 1959; além da Associação dos Cooperadores Leigos em 1917. Hoje, os membros dessas fundações estão presentes em todos os continentes mostrando que é possível santificar-se e comunicar, a todas as pessoas, Jesus Cristo com os meios técnicos e eletrônicos.
Após a fundação dos dois primeiros ramos – Paulinos e Paulinas – a vida de Alberione fundiu-se com suas obras nascentes. Acompanhava de perto a vida de seus filhos e filhas da Itália e do exterior com numerosas e prolongadas viagens. Preocupava-se não só com fundações e organizações, mas principalmente com a formação e a vida religiosa de seus seguidores, apesar do conturbado contexto histórico em que viveu: duas grandes guerras, revolução industrial, conflagrações nacionalistas e sociais, emancipação dos operários e da mulher, além de crises institucionais na família e na Igreja.
Padre Tiago Alberione, jamais esmoreceu, continuou firme na sua fé, acreditando que a obra que realizava era querida e abençoada por Deus. Com humildade e coragem, o fundador da Família Paulina, o profeta e o apóstolo de uma evangelização moderna, chegou ao fim de seus dias em 26 de novembro de 1971, aos oitenta e sete anos.
Tiago Alberione foi no dia 27 de abril de 2003, foi proclamado “bem-aventurado” num reconhecimento oficial da Igreja ao homem que foi um santo, um profeta e o pioneiro na evangelização eletrônica.
Como consagrados e consagradas, somos chamados e chamadas a proclamar ao maior número possível de pessoas, de forma atual e profunda, o Evangelho do Mestre, com a mesma ousadia de São Paulo Apóstolo. Se você acredita que o anúncio do Evangelho com os meios de comunicação pode transformar o mundo, seja um consagrado ou consagrada na Família Paulina.


quarta-feira, 29 de março de 2017

Vaticano divulga programação do Papa na Semana Santa

 Boletim da Santa Sé

O Vaticano informou nesta terça-feira, 28, a programação do Papa Francisco para a Semana Santa deste ano. O Santo Padre presidirá todas as tradicionais celebrações desse tempo que é o ápice da vida cristã.
A Semana começa em 9 de abril, Domingo de Ramos, quando o Santo Padre abençoará os ramos e, ao término da procissão, presidirá a Santa Missa às 10h (hora local, 5h em Brasília). Nessa ocasião será celebrada em todo o mundo, em âmbito diocesano, a 32ª Jornada Mundial da Juventude com o tema “Grandes coisas fez por mim o Onipotente” (Lc 1, 49).
Na Quinta-Feira Santa, 13, Francisco presidirá a celebração da Missa do Crisma às 9h30 (hora local, 4h30 em Brasília) com os cardeais, patriarcas, arcebispos, bispos e presbíteros (diocesanos e religiosos) presentes em Roma. Também neste dia, o Papa deve presidir a Missa de Lava Pés em local e horário ainda a ser divulgado. Nos últimos anos, Francisco tem escolhido como local para esta celebração instituições da periferia, voltadas à caridade e a medidas socioeducativas.
A celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-Feira Santa, 14, será na Basílica Vaticana a partir das 17h (hora local, 12h em Brasília). O Pontífice presidiá a Liturgia da Palavra, a Adoração da Cruz e o Rito da Comunhão. À noite, no Coliseu, a tradicional Via Sacra, ao término da qual o Papa fará uma reflexão e concederá a benção apostólica aos fiéis.
No Sábado Santo, a vigília pascal será às 20h30 (hora local, 15h30 em Brasília), na Basílica de São Pedro. O Papa vai presidir a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal e a Liturgia Eucarística, que será concelebrada com os cardeais e bispos que desejarem e alguns padres, conforme disponibilidade dos lugares.
No Domingo de Páscoa, 16, além de presidir a Missa às 10h (hora local, 5h em Brasília), o Papa concederá aos fiéis a Bênção Urbi et Orbi, direcionada a todos os povos.


sexta-feira, 24 de março de 2017

Anunciação de Maria

Festa da Anunciação de Nossa Senhora – 25 de março
Padroeira das Anunciatinas


A Anunciação do anjo à Maria marca o início da Redenção humana.  Com seu “sim”, Maria divide a história da humanidade em antes e depois, em velho e novo.  Ao aceitar o projeto de Deus, Maria se insere definitivamente na aliança de Deus com seu povo: através dela o Filho de Deus se fará homem e se fará presente e atuante em seu tempo e por toda a eternidade.

A festa da Anunciação do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria é comemorada desde o Século V, no Oriente e a partir do Século VI, no Ocidente, nove meses antes do Natal. Por este acontecimento, que fez de Maria o primeiro sacrário da Eucaristia, ela recebeu dos cristãos o título de Nossa Senhora da Anunciação.
A visita do Anjo à Virgem Maria, sinaliza o início do cumprimento do Velho Testamento com a abertura do caminho para o Reino de Deus à luz a Boa-Nova, para toda a Humanidade. São Gabriel Arcanjo proferiu a oração que está sempre na boca e no coração de todos os fiéis: a Ave Maria.

A Virgem Maria aceitou sua parte na missão, demonstrando toda confiança no Senhor Deus e se fez Instrumento Divino nos acontecimentos proféticos. Mas teve de perguntar como seria possível, se não conhecia homem algum. Gabriel lhe explicou que o Espírito Santo a fecundaria, pela graça do Criador. Então respondeu com a mesma simplicidade de sua vida e fé: “Sou a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Sua vontade”.

Com sua atitude, Maria torna-se co-redentora, participando do resgate da humanidade em direção ao coração de Deus.  Através de Maria Deus se fará homem e na vida terrena experimentará o limite da condição humana para revelar-Se Pai amoroso, Filho amado, Espírito amante.
Com a festa da Anunciação a Nossa Senhora, a Igreja quer celebrar esse momento único em que Cristo começa a ser gerado no ventre de Maria.  A jovem, que questiona o anjo por não entender como tal coisa poderia acontecer já que não conhecia homem, consegue perceber nas palavras do mensageiro a certeza de Deus e Sua verdade.  Assim, abre seu coração e seu corpo ao extraordinário, àquilo que assombrará a humanidade por gerações: ser corpo virgem gerará uma vida – mistério insondável de Deus, revelação suprema de Seu poder em tornar possível o impossível aos olhos humanos.

Possamos com essa festa nos abrir ao extraordinário, aceitar com gratidão o projeto de Deus sabendo-nos partícipes da construção de um novo mundo sobretudo, testemunhar que desde aquele dia comum, na pequena cidade de Nazaré da Galileia, o próprio Deus está presente no meio da humanidade.

segunda-feira, 20 de março de 2017

20/03/2017
Papa: São José nos dê a capacidade de sonhar coisas grandes
Por Rádio Vaticano
O Papa começou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta (20/03).

Francisco dedicou sua homilia a São José, cuja solenidade foi transferida de 19 para 20 de março para não coincidir com o domingo de Quarema.
São José obedece ao anjo que aparece em seu sonho e toma consigo Maria, grávida por obra do Espírito Santo, como narra o Evangelho de Mateus. Um homem silencioso, mas obediente. José é um homem que carrega sobre seus ombros as promessas de “descendência, de herança, de paternidade, de filiação e de estabilidade”:
“E este homem, este sonhador, é capaz de aceitar esta tarefa, esta tarefa difícil e que muito tem a nos dizer neste período de uma grande sensação de orfandade. E assim este homem toma a promessa de Deus e a leva avante em silêncio com fortaleza, a leva avante para aquilo que Deus quer que seja realizado”.
São José é um homem que pode “nos dizer muito, mas não fala”, “o homem escondido”, o homem do silêncio, “que tem a maior autoridade naquele momento, sem a demonstrar”. E o Papa destaca que aquilo que Deus confia ao coração de José são “coisas fracas”: “promessas” e uma promessa é fraca. E depois também o nascimento da criança, a fuga ao Egito, situações de fraqueza. José carrega no coração e leva avante “todas essas fraquezas” como se deve fazer: “com muita ternura”, “com a ternura com a qual se pega uma criança”:
É o homem que não fala, mas obedece, o homem da ternura, o homem capaz de levar adiante as promessas para que se tornem firmes, seguras. O homem que garante a estabilidade do Reino de Deus, a paternidade de Deus, a nossa filiação como filho de Deus. Gosto de pensar José como guardião das fraquezas, de nossas fraquezas: é capaz de fazer nascer muitas coisas bonitas de nossas fraquezas, de nossos pecados. ”

José é o custódio das fraquezas para que se tornem firmes na fé, mas esta tarefa ele recebeu durante um sonho: “É um homem capaz de sonhar”, observou o Papa. É também o “guardião do sonho de Deus”: o sonho de Deus de nos salvar, de nos redimir, foi confiado a ele”. “É grande este carpinteiro! ”, exclamou o Papa: “silencioso, trabalhador e guardião que carrega as fraquezas e é capaz de sonhar. Uma figura que tem uma mensagem para todos”:
“Eu hoje quero lhe pedir que dê a todos nós a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, nos aproximamos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para nós. Que aos jovens dê, porque ele era jovem, a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E dê a todos nós a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo, e ele era justo, cresce no silêncio, poucas palavras, e cresce na ternura que é capaz de proteger as próprias fraquezas e as dos outros”.
(BF/MJ)


sexta-feira, 17 de março de 2017

CATEQUESE


Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 15 de março de 2017
Boletim da Santa Sé
Tradução livre: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Sabemos bem que o grande mandamento que o Senhor Jesus nos deixou é aquele de amar: amar Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente e amar o próximo como a nós mesmos (cfr Mt 22, 37-39), isso é, somos chamados ao amor, à caridade. E essa é a nossa vocação mais alta, a nossa vocação por excelência; e a essa está ligada também a alegria da esperança cristã. Quem ama tem a alegria da esperança, de chegar a encontrar o grande amor que é o Senhor.
O apóstolo Paulo, no trecho da Leitura aos Romanos que ouvimos há pouco, coloca-nos em alerta: há o risco que a nossa caridade seja hipócrita, que o nosso amor seja hipócrita. Devemos nos perguntar, então: quando acontece essa hipocrisia? E como podemos estar seguros de que o nosso amor seja sincero, que a nossa caridade seja autêntica? De não fingir caridade ou que o nosso amor não seja uma telenovela: amor sincero, forte…
A hipocrisia pode penetrar em qualquer lugar, também no nosso modo de amar. Isso se verifica quando o nosso amor é interesseiro, movido por interesses pessoais; e quantos amores interesseiros existem…quando os trabalhos caritativos que parece que prestamos são realizados para colocar à mostra nós mesmos ou para sentir-se satisfeito: “Quão bravo eu sou!” Não, isso é hipocrisia! Ou ainda quando buscamos coisas que tenham “visibilidade” para mostrar nossa inteligência ou nossa capacidade. Por trás de tudo isso há uma ideia falsa, enganosa, isso é, se amamos, é porque somos bons; como se a caridade fosse uma criação do homem, um produto do nosso coração. A caridade, em vez disso, é antes de tudo uma graça, um presente; poder amar é um dom de Deus e devemos pedi-lo. E Ele o dará com prazer, se nós o pedirmos. A caridade é uma graça: não consiste em fazer transparecer aquilo que nós somos, mas aquilo que o Senhor nos dá e que nós livremente acolhemos; e não se pode expressar no encontro com os outros se antes não é gerada pelo encontro com a face mansa e misericordiosa de Jesus.
Paulo nos convida a reconhecer que somos pecadores e que também o nosso modo de amar é marcado pelo pecado. Ao mesmo tempo, porém, se faz portador de um anúncio novo, um anúncio de esperança: o Senhor abre diante de nós um caminho de libertação, uma via de salvação. É a possibilidade de vivermos também nós o grande mandamento do amor, de tornarmo-nos instrumentos da caridade de Deus. E isso acontece quando nos deixamos curar e renovar o coração por Cristo ressuscitado. O Senhor ressuscitado que vive entre nós, que vive conosco, é capaz de curar o nosso coração: o faz, se nós o pedimos. É Ele que nos permite, mesmo na nossa pequenez e pobreza, experimentar a compaixão do Pai e celebrar as maravilhas do seu amor. E se entende então que tudo aquilo que podemos viver e fazer pelos irmãos não é outra coisa que não a resposta àquilo que Deus fez e continua fazendo por nós. Antes, é o próprio Deus que, tomando morada no nosso coração e na nossa vida, continua a fazer-se próximo e a servir todos aqueles que encontramos a cada dia no nosso caminho, a começar pelos últimos e pelos mais necessitados nos quais Ele primeiro se reconhece.
O apóstolo Paulo, portanto, com estas palavras não quer nos repreender, em vez disso, nos encorajar a reavivar em nós a esperança. Todos, de fato, fazemos a experiência de não viver plenamente ou como devíamos o mandamento do amor. Mas também essa é uma graça, porque nos faz compreender que por nós mesmos não somos capazes de amar verdadeiramente: precisamos que o Senhor renove, continuamente, este dom no nosso coração, através da experiência da sua infinita misericórdia. E então sim voltaremos a apreciar as coisas pequenas, as coisas simples, cotidianas; voltaremos a apreciar todas essas coisas pequenas de todos os dias e seremos capazes de amar os outros como Deus os ama, querendo o bem deles, isso é, que sejam santos, amigos de Deus; e ficaremos contentes com a possibilidade de nos fazermos próximos a quem é pobre e humilde, como Jesus faz com cada um de nós quando estamos distantes Dele, de nos dobrarmos aos pés dos irmãos, como Ele, Bom Samaritano, faz com cada um de nós, com a sua compaixão e o seu perdão.
Queridos irmãos, isso que o Apóstolo Paulo nos recordou é o segredo para ser – uso suas palavras – é o segredo para ser “alegres na esperança” (Rm 12, 12): alegres na esperança. A alegria da esperança, porque sabemos que em cada circunstância, mesmo nas mais adversas, e também através dos nossos próprios fracassos, o amor de Deus não é menor. E então, com o coração visitado e habitado pela sua graça e pela sua fidelidade, vivamos na alegre esperança de retornar aos irmãos, por pouco que possamos, o tanto que recebemos todos os dias Dele. 


quinta-feira, 9 de março de 2017

07/03/2017
Exercícios espirituais: aceitar seguir Jesus e carregar a própria cruz
Por Rádio Vaticano: retiro do Papa Francisco e Cúria Romana
Ouço a voz do Senhor, que fala de modo humilde, ou coloco meu interesse pessoal acima do Reino de Deus?

Na manhã da última segunda-feira (06/03), na primeira meditação dos Exercícios espirituais proposta ao Papa Francisco e à Cúria Romana, Pe. Giulio Michelini exortou os 74 presentes a se fazerem algumas perguntas sobre a própria vida espiritual.
“A confissão de Pedro e o caminho de Jesus para Jerusalém” no Evangelho segundo São Mateus são o ponto de partida da meditação desta segunda-feira. Na tarde de domingo foi feita a introdução dos Exercícios espirituais, que se realizam até esta sexta-feira (10/06) na localidade de Ariccia, nas proximidades de Roma.
Os Exercícios espirituais são marcados pela Liturgia das Horas e pelas duas meditações diárias, que passam da interpretação dos textos ao desdobramento existencial. Jesus tomava suas decisões na oração, não através de sonhos ou magos, como, ao invés, fazia Alexandre Magno, segundo nos relata Plutarco. Pe. Michelini exortou os presentes a se perguntarem como tomam as decisões importantes da própria vida:
“Faço discernimento baseado em qual critério? Decido impulsivamente, deixo-me levar por aquilo que é habitual, coloco a mim mesmo e meu interesse pessoal acima do Reino de Deus? Ouço a voz de Deus, que fala de modo humilde?”
Pedro e a tradição rabínica sobre a voz de Deus através dos pequenos: a humildade de ouvir-nos
Em seguida, Pe. Michelini se concentrou na figura de Pedro e na tradição rabínica. Mediante revelação, Pedro reconhece que Jesus é o Messias. Daí, o religioso franciscano sugere que o Pai tenha falado não somente por meio do Filho, mas tenha falado ao Filho, Jesus, também através de Pedro. É Jesus que revela pouco a pouco a sua vocação, mas realiza gestos também porque é solicitado por outros.
Na vida de Jesus de Nazaré é deixado muito espaço aos encontros, que incidem na sua missão. Segundo a tradição rabínica, com o fim da grande profecia, se considerava que Deus continuasse falando de modos muito humildes, como por exemplo mediante a voz das crianças e dos loucos.
Com uma comunicação parecida com o sussurro de um vento leve como se deu com o profeta Elias no monte Horebe. E Pe. Michelini ofereceu aos presentes outra ocasião de reflexão:
“Tenho a humildade de ouvir Pedro? Temos a humildade de ouvir-nos uns aos outros, estando atentos aos preconceitos ou às pré-leituras que certamente temos, mas atentos a colher aquilo que Deus quer dizer apesar – talvez – dos meus fechamentos? Ouvir a voz dos outros, talvez frágil, ou escuto somente a minha voz?”
Aceitar seguir Jesus e carregar a própria cruz
Em seguida, o pregador dos Exercícios espirituais deteve-se sobre a interpretação daqueles estudiosos que consideram que Jesus soubesse o que estava para acontecer. No Evangelho segundo Mateus se diz que Jesus se retirava, um verbo que no grego antigo indicava a retirada dos exércitos diante de uma derrota ou de um perigo.
Também Jesus parece retirar-se diante da notícia da prisão do Batista e quando sabe que os fariseus querem matá-lo, mas todas essas retiradas são estratégicas, ressaltou Pe. Michelini, não são para deter-se: após ter-se retirado, Jesus faz coisas concretas, isto é, começa a anunciar o Reino e a curar os doentes.
Entre as muitas referências que enriqueceram a meditação do frade menor, encontra-se a que fez a Hanna Arendt, que falava da banalidade do mal, em referência a como os hierarcas nazistas falavam das atrocidades por eles cometidas.
Tal alusão foi feita para referir-se à ferocidade com a qual foi perpetrado o assassinato de João Batista após o pedido de Herodíades.
Aludiu também ao rabino Hillel, para ressaltar que Jesus continua a missão assumindo sempre novas responsabilidade até a que o levará a Jerusalém. Daí, o ponto de agarra para a última reflexão:
“Pergunto-me se tenho a coragem de caminhar até o fim para seguir Jesus Cristo, levando em consideração que isso comporta levar a cruz, como Ele disse, anunciando a ressurreição, a alegria, mas também a provação: ‘Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me’.”