sexta-feira, 19 de maio de 2017

19/05/2017
Papa: o Evangelho une e a ideologia divide
Por Rádio Vaticano
A graça da conversão “à unidade da Igreja, ao Espírito Santo e à verdadeira doutrina”. Esta foi a oração do Papa na homilia da missa celebrada na manhã desta sexta-feira (19/05) na Casa Santa Marta.
 Francisco comentou a Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, e observou que também na primeira comunidade cristã “havia ciúmes, lutas de poder, algum espertinho que – explicou – queria ganhar e comprar o poder”. Portanto, “sempre houve problemas”: “somos humanos, somos pecadores” e as dificuldades existem, inclusive na Igreja, mas ser pecadores nos leva à humildade e a nos aproximar do Senhor, “como salvador dos nossos pecados”. A propósito dos pagãos que o Espírito Santo convida à conversão, o Pontífice recordou que, no trecho, os apóstolos e os anciãos escolhem alguns deles para ir até Antioquia com Paulo e Barnabé. Os grupos descritos são dois:
“O grupo dos apóstolos que quer discutir o problema e os outros que criam problemas, dividem, dividem a Igreja, dizem que aquilo que os apóstolos pregam não é o que disse Jesus, que não é a verdade”.
Os apóstolos discutem entre si e, no final, entram num acordo:
“Mas não é um acordo político, é a inspiração do Espírito Santo que os leva a dizer: nada de coisas, nada de exigências. Mas só o que dizem: não comer carne naquele período, a carne sacrificada aos ídolos porque era fazer comunhão com os ídolos, abster-se do sangue, dos animais sufocados e das uniões ilegítimas”.
O Papa destacou a “liberdade do Espírito” que leva ao “acordo”: assim, diz, os pagãos podem entrar na Igreja. Tratou-se, no fundo, de um “primeiro Concílio” da Igreja – “o Espírito Santo e eles, o Papa com os bispos, todos juntos” – reunidos “para esclarecer a doutrina” e seguido, no decorrer dos séculos, por exemplo pelo de Éfeso e do Vaticano II, porque “é um dever da Igreja esclarecer a doutrina” para “se entender bem o que Jesus disse nos Evangelhos, qual é o Espírito dos Evangelhos”.
“Mas sempre existiram essas pessoas que, sem qualquer autoridade, turbam a comunidade cristã com discursos que transtornam as almas: “Eh, não. Isso que foi dito é herético, não se pode dizer, isso não, a doutrina da Igreja é esta…”. E são fanáticos por coisas que não são claras, como esses fanáticos que semeavam intrigas para dividir a comunidade cristã. E este é o problema: quando a doutrina da Igreja, a que vem do Evangelho, que o Espírito Santo inspira, esta doutrina se torna ideologia. E este é o grande erro dessas pessoas”.
Esses indivíduos – explicou – “não eram fiéis, eram ideologizados”, tinham uma ideologia “que fechava o coração para a obra do Espírito Santo”. Ao invés, os apóstolos certamente discutiram de maneira enérgica, mas não eram ideologizados: “tinham o coração aberto ao que o Espírito dizia.
A exortação final do Papa foi para não se deixar intimidar diante das “opiniões dos ideólogos da doutrina”. A Igreja, concluiu Francisco, tem “o seu próprio magistério, o magistério do Papa, dos bispos, dos concílios”, e devemos caminhar nesta estrada “que vem da pregação de Jesus e do ensinamento e da assistência do Espirito Santo”, que está “sempre aberta, sempre livre”, porque a doutrina une, os concílios unem a comunidade cristã”, enquanto “a ideologia divide”.



Na quarta-feira, 17 de maio, das 19h30 às 21h30, o Auditório Paulo Apóstolo (Rua Dona Inácia Uchoa, 62 – Vila Mariana) será palco do encontro “Retratos de Esperança”, sobre o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais – data estabelecida pelo Concílio Vaticano II (Inter Mirifica, 1963).
Promovido pelo SEPAC, em parceria com a Arquidiocese de São Paulo, a PASCOM, a Revista Família Cristã e a Paulinas-COMEP, o evento contará com a participação do arcebispo Dom Odilo Scherer e do bispo auxiliar Dom Devair Araújo da Fonseca, da Arquidiocese de São Paulo, e do padre coordenador da Pastoral da Comunicação (PASCOM), Luiz Cláudio Braga, que falarão sobre a mensagem que o Santo Padre publica, tradicionalmente, sobre a data.
Também participam do evento, com testemunhos sobre a esperança na comunicação, o jornalista e apresentador da TV Cultura Aldo Quiroga, a colunista da Revista Família Cristã e mestra em Direito Social Valdênia Lanfranchi, a irmã paulina Natividade Pereira e Miguel Ahumada, jornalista da Web Rádio Migrantes.
O Dia Mundial das Comunicações Sociais é o dia dedicado pela Igreja aos meios de comunicação, celebrado em muitos países no Dia da Ascensão do Senhor (domingo que precede a Festa de Pentecostes). Neste ano, o Dia Mundial das Comunicações Sociais cai em 28 de maio e tem como tema “‘Não tenhas medo, que Eu estou contigo’ (Is 43,5). Comunicar esperança e confiança no nosso tempo”.
Em sua mensagem para este Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco diz que há a necessidade de romper o círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo, resultante do hábito de fixar a atenção nas “notícias más” (guerras, terrorismo, escândalos e todo o tipo de alimento das vicissitudes humanas). Não se trata, naturalmente, de promover desinformação ou ignorar o drama do sofrimento, nem de cair em um otimismo ingênuo que não se deixe tocar pelo escândalo do mal. “Num sistema comunicador onde vigora a lógica de que uma notícia boa não desperta a atenção e, por conseguinte, não é uma notícia, e onde o drama do sofrimento e o mistério do mal facilmente são elevados a espetáculos, podemos ser tentados a anestesiar a consciência ou cair no desespero”, diz o papa.
O evento “Retratos de Esperança” será apresentado por Irmã Helena Corazza e terá Cantores de Deus como atração musical. O arcebispo Dom Odilo fica disponível para atender a imprensa durante uma hora, antes do evento (às 18h30).
Estiveram presentes membros da Afamilia Paulina e amigos...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Três verbos que caracteriz@m o dom do discernimento

Reconhecer - O reconhecimento diz respeito antes de tudo aos efeitos que os acontecimentos da minha vida, as pessoas com as quais me encontro, as palavras que ouço ou que leio produzem na minha interioridade: uma variedade de “desejos, sentimentos, emoções” (Amoris laetitia, 143) de natureza muito diferente: tristeza, obscuridade, plenitude, medo, alegria, paz, sensação de vazio, ternura, raiva, esperança, tibieza, etc. Sinto-me atraído ou impelido numa pluralidade de direções, sem que nenhuma delas me pareça como aquela que claramente devo tomar; é o momento dos altos e baixos, e em certos casos de uma autêntica luta interior. Reconhecer requer que se traga à tona esta riqueza emocional e que se mencionem estas paixões, mas sem as julgar. Exige também que se sinta o “gosto” que elas deixam, ou seja, a consonância ou dissonância entre o que eu experimento e aquilo que existe de mais profundo em mim. Nesta fase a Palavra de Deus reveste uma grande importância: com efeito, meditá-la põe em movimento as paixões, assim como todas as experiências de contato com a própria interioridade, mas ao mesmo tempo oferece uma possibilidade de as fazer sobressair, identificando-se nas vicissitudes que ela narra. A fase do reconhecimento coloca no centro a capacidade de escuta e a afetividade da pessoa, sem se subtrair por medo ao cansaço do silêncio. Trata-se de uma passagem fundamental no percurso de amadurecimento pessoal, de maneira particular para os jovens que experimentam com maior intensidade o vigor dos desejos e podem sentir-se também assustados diante deles, talvez renunciando aos grandes passos para os quais contudo se sentem impelidos.
Interpret@r - Não é suficiente reconhecer aquilo que nós experimentamos: é necessário “interpretá-lo” ou, em outras palavras, compreender para o que o Espírito nos chama através daquilo que suscita em cada um. Muitas vezes detemo-nos a narrar uma experiência, ressaltando que “ficamos deveras impressionados”. Mais difícil é compreender a origem e o significado dos desejos e das emoções sentidas e avaliar se eles nos orientam numa direção construtiva ou, pelo contrário, se nos levam a fechar-nos em nós mesmos.
Esta fase de interpretação é muito delicada; exige paciência, vigilância e também uma certa aprendizagem. Devemos ter a capacidade de estar cientes dos efeitos dos condicionamentos sociais e psicológicos. Isto requer que se ponham em campo também as próprias faculdades intelectuais, contudo sem cair no risco de construir teorias abstratas sobre aquilo que seria bom ou bonito fazer: até no discernimento, “a realidade é superior à ideia” (Evangelii gaudium, 231). Na interpretação, não podemos nem sequer descuidar do confronto com a realidade e a consideração das possibilidades que objetivamente temos à disposição.

Para interpretar os desejos e os impulsos interiores é necessário confrontar-se honestamente, à luz da Palavra de Deus, também com as exigências morais da vida cristã, procurando inseri-las sempre na situação concreta de vida. Este esforço impele quem o envida a não se contentar com a lógica legalista do mínimo indispensável, procurando ao contrário o modo de valorizar da melhor maneira os dons pessoais e as próprias possibilidades: por isso, trata-se de uma proposta atraente e estimulante para os jovens.

Este trabalho de interpretação realiza-se num diálogo interior com o Senhor, com a ativação de todas as capacidades da pessoa; no entanto, a ajuda de um especialista na escuta do Espírito constitui um apoio inestimável, que a Igreja oferece e do qual é pouco prudente não lançar mão.

Escolher - Uma vez reconhecido e interpretado o mundo dos desejos e das paixões, o ato de decidir torna-se exercício de autêntica liberdade humana e de responsabilidade pessoal, obviamente sempre situadas e portanto limitadas. Por conseguinte, a escolha subtrai-se à força cega dos instintos, aos quais um certo relativismo contemporâneo acaba por atribuir o papel de critério último, aprisionando a pessoa na volubilidade. Ao mesmo tempo, liberta-se da sujeição a instâncias externas à pessoa e, portanto, heterónomas, exigindo igualmente uma coerência de vida. [...] A decisão deve ser posta à prova dos acontecimentos, tendo em vista a sua confirmação. A escolha não pode permanecer prisioneira numa interioridade que corre o risco de permanecer virtual ou irrealista – trata-se de um perigo acentuado na cultura contemporânea – mas é chamada a traduzir-se em ação, a encarnar, a dar início a um percurso, aceitando o risco de se confrontar com aquela realidade que tinha posto em movimento desejos e emoções. Nesta fase surgirão outros ainda: reconhecê-los e interpretá-los permitirá confirmar a bondade da decisão tomada ou aconselhará a revê-la. Por isso, é importante “sair” também do medo de errar que, como vimos, pode tornar-se paralisante.

Fonte: DOCUMENTO PREPARATÓRIO - SÍNODO DOS BISPOS 2018 - XV ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA - Os jovens, a fé e o discernimento vocacional.


2017: Ano Mariano!
Por Pe. Antônio Lúcio, ssp
Maio: mês de Maria!
Em nosso calendário civil já chegamos no mês de maio. Um mês especial para todos os devotos de Nossa Senhora, pois é o mês tradicionalmente dedicado a ela.  Afirmava o Bem-aventurado Tiago Alberione, fundador da Família Paulina: “Maio a Maria! É possível mudar de continente, achar-se em terra, no mar, no ar; encontrar novas raças, outras civilizações, línguas diferentes, mas sempre a mesma Mãe, sempre corações de filhos, sempre a mesma devoção. Como é consolador!”
Tudo começou há mais de dois mil anos. Tudo teve início com um “sim”. Uma jovem pobre e desconhecida, de nome Maria, da cidade de Nazaré, aceita o convite de Deus para ser a Mãe do Salvador esperado pelo povo de Israel, anunciado pelos profetas, aguardado ansiosamente pelos desvalidos deste mundo.
Com a adesão de Maria à vontade de Deus, acontece o mistério da encarnação do Filho de Deus: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim, segundo a tua palavra” (Lc 1,38). E a consequência da encarnação, diz-nos Pe. Tiago Alberione, é a não separação: “Quem encontra Maria, encontra Jesus”.
Maria é aquela criatura dócil, humilde e obediente, mas, sobretudo, confiante em Deus que nos trouxe a vida nova: Jesus Cristo! A vida de Maria se resume àquilo que deve ser o ideal de todo cristão: tudo por Jesus, tudo com Jesus, tudo em Jesus.
2017: 100 anos de Fátima e 300 anos de Aparecida
 O ano de 2017 é por demais especial para todos os devotos de Nossa Senhora. Estamos celebrando dois grandes acontecimentos que nos aproximam ainda mais de nossa “mãezinha do céu”. Brasil e Portugal estão unidos para a celebração dos dois Jubileus de suas devoções marianas mais populares: o centenário de Fátima e o tricentenário de Aparecida.
Nossa Senhora de Fátima

No dia 13 de maio de 1917 Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos nas montanhas de Fátima, Portugal. Foram sete aparições às crianças Lúcia de Jesus Santos e seus primos, Francisco Marto e Jacinta Marto, sempre no dia 13 de cada mês. O Papa Francisco vai canonizar Francisco e Jacinta Marto no próximo dia 13 de maio em Fátima.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida: Rainha e Padroeira do Brasil!

Em outubro de 1717 uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição apareceu nas redes de três pescadores, nas águas do Rio Paraíba do Sul. Desde então, começou uma história de fé, amor e devoção por Nossa Senhora Aparecida. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) instituiu o “Ano Nacional Mariano”, que teve início aos 12 de outubro de 2016 e será concluído aos 11 de outubro de 2017.
De acordo com o Arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, dom Sérgio da Rocha, o período convida a população a voltar o coração para Nossa Senhora. “É um ano para celebrar, para comemorar, para louvar a Deus, mas também para reaprender com Nossa Senhora como seguir Jesus Cristo, como ser cristão hoje”, enfatizou.
Em nota oficial a CNBB afirmou: “A celebração dos 300 anos é uma grande ação de graças. Todas as dioceses do Brasil, desde 2014, se preparam, recebendo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre cidades e periferias, lembrando aos pobres e abandonados que eles são os prediletos do coração misericordioso de Deus. (…) O Ano Mariano vai, certamente, fazer crescer ainda mais o fervor desta devoção e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5)”.
Oração Jubilar: 300 anos de bênçãos!
Senhora Aparecida, Mãe Padroeira, em vossa singela imagem, há 300 anos aparecestes nas redes dos três benditos pescadores no Rio Paraíba do Sul. Como sinal vindo do céu, em vossa cor, vós nos dizeis que para o Pai não existem escravos, apenas filhos muito amados. Diante de vós, embaixadora de Deus, rompem-se as correntes da escravidão! Assim, daquelas redes, passastes para o coração e a vida de milhões de outros filhos e filhas vossos. Para todos tendes sido bênção: peixes em abundância, famílias recuperadas, saúde alcançada, corações reconciliados, vida cristã reassumida. Nós vos agradecemos tanto carinho, tanto cuidado! Hoje, em vosso Santuário e em vossa visita peregrina, nós vos acolhemos como mãe, e de vossas mãos recebemos o fruto de vossa missão entre nós: o vosso Filho Jesus, nosso Salvador. Recordai-nos o poder, a força das mãos postas em prece! Ensinai-nos a viver vosso jubileu com gratidão e fidelidade! Fazei de nós vossos filhos e filhas, irmãos e irmãs de nosso Irmão Primogênito, Jesus Cristo. Amém!


O GRAVE MOMENTO NACIONAL
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” 
(Mt 6,33)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, por ocasião de sua 55ª Assembleia Geral, reunida em Aparecida-SP, de 26 de abril a 5 de maio de 2017, sente-se no dever de, mais uma vez, apresentar à sociedade brasileira suas reflexões e apreensões diante da delicada conjuntura política, econômica e social pela qual vem passando o Brasil. Não compete à Igreja apresentar soluções técnicas para os graves problemas vividos pelo País, mas oferecer ao povo brasileiro a luz do Evangelho para a edificação de “uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação” (Bento XVI - Caritas in Veritate, 9).
O que está acontecendo com o Brasil? Um País perplexo diante de agentes públicos e privados que ignoram a ética e abrem mão dos princípios morais, base indispensável de uma nação que se queira justa e fraterna. O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção. Urge, portanto, retomar o caminho da ética como condição indispensável para que o Brasil reconstrua seu tecido social. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra seus males mais evidentes: violência contra a pessoa e a vida, contra a família, tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais (cf. Documentos da CNBB 50– Ética, Pessoa e Sociedade – n. 130)

O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população. É preciso construir uma democracia verdadeiramente participativa. Dessa forma se poderá superar o fisiologismo político que leva a barganhas sem escrúpulos, com graves consequências para o bem do povo brasileiro.
É sempre mais necessária uma profunda reforma do sistema político brasileiro. Com o exercício desfigurado e desacreditado da política, vem a tentação de ignorar os políticos e os governantes, permitindo-lhes decidir os destinos do Brasil a seu bel prazer. Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de “salvadores da pátria” e o surgimento de regimes autocráticos. Aos políticos não é lícito exercer a política de outra forma que não seja para a construção do bem comum. Daí, a necessidade de se abandonar a velha prática do “toma lá, dá cá” como moeda de troca para atender a interesses privados em prejuízo dos interesses públicos.
Intimamente unida à política, a economia globalizada tem sido um verdadeiro suplício para a maioria da população brasileira, uma vez que dá primazia ao mercado, em detrimento da pessoa humana e ao capital em detrimento do trabalho, quando deveria ser o contrário. Essa economia mata e revela que a raiz da crise é antropológica, por negar a primazia do ser humano sobre o capital (cf. Evangelii Gaudium, 53-57). Em nome da retomada do desenvolvimento, não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. Recorde-se, com o Papa Francisco, que “o dinheiro é para servir e não para governar” (Evangelii Gaudium 58).
O desenvolvimento social, critério de legitimação de políticas econômicas, requer políticas públicas que atendam à população, especialmente a que se encontra em situação vulnerável. A insuficiência dessas políticas está entre as causas da exclusão e da violência, que atingem milhões de brasileiros. São catalisadores de violência: a impunidade; os crescentes conflitos na cidade e no campo; o desemprego; a desigualdade social; a desconstrução dos direitos de comunidades tradicionais; a falta de reconhecimento e demarcação dos territórios indígenas e quilombolas; a degradação ambiental; a criminalização de movimentos sociais e populares; a situação deplorável do sistema carcerário. É preocupante, também, a falta de perspectivas de futuro para os jovens. Igualmente desafiador é o crime organizado, presente em diversos âmbitos da sociedade.
Nas cidades, atos de violência espalham terror, vitimam as pessoas e causam danos ao patrimônio público e privado. Ocorridos recentemente, o massacre de trabalhadores rurais no município de Colniza, no Mato Grosso, e o ataque ao povo indígena Gamela, em Viana, no Maranhão, são barbáries que vitimaram os mais pobres. Essas ocorrências exigem imediatas providências das autoridades competentes na apuração e punição dos responsáveis.  

No esforço de superação do grave momento atual, são necessárias reformas, que se legitimam quando obedecem à lógica do diálogo com toda a sociedade, com vistas ao bem comum. Do Judiciário, a quem compete garantir o direito e a justiça para todos, espera-se atuação independente e autônoma, no estrito cumprimento da lei.   Da Mídia espera-se que seja livre, plural e independente, para que se coloque a serviço da verdade.
Não há futuro para uma sociedade na qual se dissolve a verdadeira fraternidade. Por isso, urge a construção de um projeto viável de nação justa, solidária e fraterna. “É necessário procurar uma saída para a sufocante disputa entre a tese neoliberal e a neoestatista (...). A mera atualização de velhas categorias de pensamentos, ou o recurso a sofisticadas técnicas de decisões coletivas, não é suficiente. É necessário buscar caminhos novos inspirados na mensagem de Cristo” (Papa Francisco – Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais – 24 de abril de 2017).

O povo brasileiro tem coragem, fé e esperança. Está em suas mãos defender a dignidade e a liberdade, promover uma cultura de paz para todos, lutar pela justiça e pela causa dos oprimidos e fazer do Brasil uma nação respeitada.
A CNBB está sempre à disposição para colaborar na busca de soluções para o grave momento que vivemose conclama os católicose as pessoas de boa vontadea participarem, consciente e ativamente, na construção do Brasil que queremos.
No Ano Nacional Mariano, confiamos o povo brasileiro, com suas angústias, anseios e esperanças, ao coração de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Deus nos abençoe!
 Aparecida - SP, 3 de maio de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília e Secretário-Geral da CNBB



 

Instituto Nossa senhora da Anunciação

São Paulo, 29 de Abril de 2017.
Revmº Sr.
Pe. Vittorio Saraceno, ssp
Delegado Provincial dos Insts.
Gabrielinos e Anunciatinas

Caríssimo Pe. Vittorio em nome de nosso grupo de Anunciatinas do Brasil, o qual o Senhor Os acompanhou por longos anos, desejamos graça e paz!

Somente quem se esvazia de si mesmo numa entrega total a Deus é capaz de realizar tantos feitos como celebrar a Eucaristia, pregar o Evangelho, acolher os pecadores, orientar e acompanhar como somente um pai sabe fazer. Sei que a missão do sacerdote Paulino é árdua, mas sei também que a alegria do servir é maior do que todos os desafios!
Venho através desta, em nome de todas, não só deseja-lhe saúde e paz, mas ainda, principalmente, agradecer, pelo tempo que desempenhou o delicado ofício de delegado provincial das anunciatinas, servindo com generosidade, paciência e prudência a nosso Instituto Nossa Senhora da Anunciação.

É de todos conhecida sua dedicação, no desempenho de sua vocação sacerdotal como testemunho de amor a Igreja, e a nós anunciatinas. Que o Divino Mestre, possa fortalecer sua esperança para continuar sendo um valioso colaborador de Deus, na família Paulina em favor do Reino.
Em nossas preces, pedimos para que Deus o mantenha sempre abastecido de coragem e perseverança para ser sempre em nossa caminhada, exemplo e testemunha de vida e de luz, esperança e fé. Será sempre o nosso eterno delegado Provincial.
Agradecer é também um motivo para colocarmos nossas orações especialmente por alguém que se faz presente em nossas vidas, que sempre tem uma palavra amiga, uma mensagem de encorajamento, um abraço afetivo, olhar afetuoso e mãos estendidas param nos oferecer.

Rezemos pelo novo Delegado, que venha em nome de Deus.

Que o Divino Mestre vos abençoe sempre.

Anunciatinas

Regina Insa
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 54º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
(7 de maio de 2017 - IV Domingo da Páscoa)
Tema: «Impelidos pelo Espírito para a missão»

Amados irmãos e irmãs!
            Nos anos passados, tivemos ocasião de refletir sobre dois aspetos que dizem respeito à vocação cristã: o convite a «sair de si mesmo» para pôr-se à escuta da voz do Senhor e a importância da comunidade eclesial como lugar privilegiado onde nasce, alimenta e se exprime a chamada de Deus.
            Agora, no 54º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, gostaria de me deter na dimensão missionária da vocação cristã. Quem se deixou atrair pela voz de Deus e começou a seguir Jesus, rapidamente descobre dentro de si mesmo o desejo irreprimível de levar a Boa Nova aos irmãos, através da evangelização e do serviço na caridade. Todos os cristãos são constituídos missionários do Evangelho. Com efeito, o discípulo não recebe o dom do amor de Deus para sua consolação privada; não é chamado a ocupar-se de si mesmo nem a cuidar dos interesses duma empresa; simplesmente é tocado e transformado pela alegria de se sentir amado por Deus e não pode guardar esta experiência apenas para si mesmo: «a alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 21).
            Por isso, o compromisso missionário não é algo que vem acrescentar-se à vida cristã como se fosse um ornamento, mas, pelo contrário, situa-se no âmago da própria fé: a relação com o Senhor implica ser enviados ao mundo como profetas da sua palavra e testemunhas do seu amor.
            Se experimentamos em nós muita fragilidade e às vezes podemos sentir-nos desanimados, devemos levantar a cabeça para Deus, sem nos fazermos esmagar pelo sentimento de inaptidão nem cedermos ao pessimismo, que nos torna espetadores passivos duma vida cansada e rotineira. Não há lugar para o temor: o próprio Deus vem purificar os nossos «lábios impuros», tornando-nos aptos para a missão. «“Foi afastada a tua culpa e apagado o teu pecado!” Então, ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem enviarei? Quem será o nosso mensageiro?” Então eu disse: “Eis-me aqui, envia-me”» (Is 6, 7-8).
            Cada discípulo missionário sente, no seu coração, esta voz divina que o convida a «andar de lugar em lugar» no meio do povo, como Jesus, «fazendo o bem e curando» a todos (cf. At 10, 38). Com efeito, já tive ocasião de lembrar que, em virtude do Batismo, cada cristão é um «cristóforo» ou seja, «um que leva Cristo» aos irmãos (cf. Francisco, Catequese, 30 de janeiro de 2016). Isto vale de forma particular para as pessoas que são chamadas a uma vida de especial consagração e também para os sacerdotes, que generosamente responderam «eis-me aqui, envia-me». Com renovado entusiasmo missionário, são chamados a sair dos recintos sagrados do templo, para consentir à ternura de Deus de transbordar a favor dos homens (cf. Francisco, Homilia na Missa Crismal, 24 de março de 2016). A Igreja precisa de sacerdotes assim: confiantes e serenos porque descobriram o verdadeiro tesouro, ansiosos por irem fazê-lo conhecer jubilosamente a todos (cf. Mt 13,44).
            Com certeza não faltam as interrogações ao falarmos da missão cristã: Que significa ser missionário do Evangelho? Quem nos dá a força e a coragem do anúncio? Qual é a lógica evangélica em que se inspira a missão? Podemos dar resposta a estas questões, contemplando três cenas evangélicas: o início da missão de Jesus na sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4, 16-30); o caminho que Ele, Ressuscitado, fez com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35); e, por último, a parábola da semente (cf. Mc 4, 26-27).

Jesus é ungido pelo Espírito e enviado. Ser discípulo missionário significa participar ativamente na missão de Cristo, que Ele próprio descreve na sinagoga de Nazaré: «O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19). Esta é também a nossa missão: ser ungidos pelo Espírito e ir ter com os irmãos para lhes anunciar a Palavra, tornando-nos um instrumento de salvação para eles.

Jesus vem colocar-Se ao nosso lado no caminho. Perante as interrogações que surgem do coração humano e os desafios que se levantam da realidade, podemos sentir-nos perdidos e notar um défice de energia e esperança. Há o risco de que a missão cristã apareça como uma mera utopia irrealizável ou, em todo o caso, uma realidade que supera as nossas forças. Mas, se contemplarmos Jesus Ressuscitado, que caminha ao lado dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-15), é possível reavivar a nossa confiança; nesta cena evangélica, temos uma autêntica e real «liturgia da estrada», que precede a da Palavra e da fração do Pão e nos faz saber que, em cada passo nosso, Jesus está junto de nós. Os dois discípulos, feridos pelo escândalo da cruz, estão de regresso a casa percorrendo o caminho da derrota: levam no coração uma esperança despedaçada e um sonho que não se realizou. Neles, a tristeza tomou o lugar da alegria do Evangelho. Que faz Jesus? Não os julga, percorre a própria estrada deles e, em vez de erguer um muro, abre uma nova brecha. Pouco a pouco transforma o seu desânimo, inflama o seu coração e abre os seus olhos, anunciando a Palavra e partindo o Pão. Da mesma forma, o cristão não carrega sozinho o encargo da missão, mas experimenta – mesmo nas fadigas e incompreensões – que «Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 266).
           
Jesus faz germinar a semente. Por fim, é importante aprender do Evangelho o estilo de anúncio. Na verdade, acontece não raro, mesmo com a melhor das intenções, deixar-se levar por um certo frenesim de poder, pelo proselitismo ou o fanatismo intolerante. O Evangelho, pelo contrário, convida-nos a rejeitar a idolatria do sucesso e do poder, a preocupação excessiva pelas estruturas e uma certa ânsia que obedece mais a um espírito de conquista que de serviço. A semente do Reino, embora pequena, invisível e às vezes insignificante, cresce silenciosamente graças à ação incessante de Deus: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Quer esteja dormindo, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como» (Mc 4, 26-27). A nossa confiança primeira está aqui: Deus supera as nossas expetativas e surpreende-nos com a sua generosidade, fazendo germinar os frutos do nosso trabalho para além dos cálculos da eficiência humana.
            Com esta confiança evangélica abrimo-nos à ação silenciosa do Espírito, que é o fundamento da missão. Não poderá jamais haver pastoral vocacional nem missão cristã, sem a oração assídua e contemplativa. Neste sentido, é preciso alimentar a vida cristã com a escuta da Palavra de Deus e, sobretudo, cuidar da relação pessoal com o Senhor na adoração eucarística, «lugar» privilegiado do encontro com Deus.
            É esta amizade íntima com o Senhor que desejo vivamente encorajar, sobretudo para implorar do Alto novas vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. O povo de Deus precisa ser guiado por pastores que gastam a sua vida ao serviço do Evangelho. Por isso, peço às comunidades paroquiais, às associações e aos numerosos grupos de oração presentes na Igreja: sem ceder à tentação do desânimo, continuai a pedir ao Senhor que mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho, capazes de se aproximar dos irmãos, tornando-se assim sinal vivo do amor misericordioso de Deus.
            Amados irmãos e irmãs, é possível ainda hoje voltar a encontrar o ardor do anúncio e propor, sobretudo aos jovens, o seguimento de Cristo. Face à generalizada sensação duma fé cansada ou reduzida a meros «deveres a cumprir», os nossos jovens têm o desejo de descobrir o fascínio sempre atual da figura de Jesus, de deixar-se interpelar e provocar pelas suas palavras e gestos e, enfim, sonhar – graças a Ele – com uma vida plenamente humana, feliz de gastar-se no amor.
            Maria Santíssima, Mãe do nosso Salvador, teve a coragem de abraçar este sonho de Deus, pondo a sua juventude e o seu entusiasmo nas mãos d’Ele. Que a sua intercessão nos obtenha a mesma abertura de coração, a prontidão em dizer o nosso «Eis-me aqui» à chamada do Senhor e a alegria de nos pormos a caminho, como Ela (cf. Lc 1, 39), para anunciá-lo ao mundo inteiro.
            Cidade do Vaticano, 27 de novembro – I Domingo do Advento – de 2016.
             
            Franciscus