sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Bem-aventurado Tiago Alberione
No dia 27 de abril de 2003 o papa João Paulo II declarou Tiago Alberione bem-aventurado!
Padre Tiago Alberione, Fundador da Família Paulina, foi um dos mais carismáticos apóstolos do século XX. Nasceu em San Lorenzo diFossano (Cuneo, Itália), no dia 4 de abril de 1884. Recebeu o batismo já no dia seguinte. A família Alberione, constituída por Miguel e Teresa Allocco e por seis filhos, era do meio rural, profundamente cristã e trabalahadora.

O pequeno Tiago, o quarto filho, desde cedo passa pela experiência do chamado de Deus: na primeira série do ensino primário, quando a professora Rosa perguntou o que seria quando se tornasse adulto, ele respondeu: Vou tornar-me padre! Os anos da infância se encaminham nessa direção.
Com 16 anos, Tiago foi recebido no Seminário de Alba. Desde logo se encontrou com aquele que para ele foi pai, guia, amigo e conselheiro por 46 anos: o cônego Francisco Chiesa.
No final do Ano Santo de 1900, já estimulado pela encíclica de Leão XIII Tametsi futura (Ainda que se trate de coisas futuras), Tiago viveu a experiência decisiva de sua existência. Na noite de 31 de dezembro de 1900, noite que dividiu os dois séculos, pôs-se a rezar por quatro horas diante do Santíssimo Sacramento e, na luz de Deus, projeta o seu futuro. Uma “luz especial” veio ao seu encontro, desprendendo-se da Hóstia e a partir daquele momento ele se sentiu “profundamente comprometido a fazer alguma coisa para o Senhor e para as pessoas do novo século”: “o compromisso de servir à Igreja”, valendo-se dos novos meios colocados à disposição pelo progresso.
No dia 29 de junho de 1907 foi ordenado sacerdote. Como passo seguinte, uma breve, mas significativa experiência pastoral em Narzole (Cuneo), na qualidade de vice pároco. Lá encontrou o bem jovem José Giaccardo, que para ele será o que foi Timóteo para o Apóstolo Paulo. Ainda em Narzole, Padre Alberione amadureceu sua reflexão sobre o que pode fazer a mulher incluída no apostolado.
No Seminário de Alba desempenhou o papel de Diretor Espiritual dos seminaristas maiores (filósofos e teólogos) e menores (estudantes do ensino médio), e foi professor de diversas disciplinas. Dispôs-se a pregar, a catequizar, a dar conferências nas paróquias da diocese. Dedicou também bastante tempo ao estudo da realidade da sociedade civil e eclesial do seu tempo e às novas necessidades que se projetavam.
Concluiu que o Senhor o convocava para uma nova missão: pregar o Evangelho a todos os povos, segundo o espírito do Apóstolo Paulo, usando os modernos meios da comunicação. Justificam essa direção os seus dois livros: Apontamentos de teologia pastoral (1912) e A mulher associada ao zelo sacerdotal (1911-1915).
Essa missão, para ser desenvolvida com carisma e continuidade, devia ser assumida por pessoas consagradas, considerando-se que “as obras de Deus se edificam por meio das pessoas que são de Deus”. Desse modo, no dia 20 de agosto de 1914, quando, em Roma morria o sumo pontífice, Pio X, em Alba, o Padre Alberione dava início à “Família Paulina” com a fundação da Pia Sociedade São Paulo. O começo foi marcado pela extrema pobreza, em conformidade com a pedagogia divina: “inicia-se sempre no presépio”.
A família humana – na qual o Padre Alberione se inspira – é constituída por irmãos e irmãs. A primeira mulher a seguir o Padre Alberione foi uma jovem de vinte anos, de Castagnito (Cuneo): Teresa Merlo. Com o apoio dela, Alberione deu início à congregação das Filhas de São Paulo (1915) – Irmãs Paulinas. Pouco a pouco, a “Família” cresceu, as vocações masculinas e femininas aumentaram, o apostolado tomou seu curso e assumiu sua forma.
Em 1918 (dezembro) registrou-se o primeiro envio das “filhas” para Susa: iniciou-se uma história muito corajosa de fé e de empreendimento, que gerou também um estilo característico, denominado (estilo) “paulino”.
Em 1923, quando o Padre Alberione adoeceu gravemente e o diagnóstico médico não sugeriu um quadro de esperanças, o Fundador, milagrosamente, retomou o caminho com saúde e afirmou: “Foi São Paulo quem me curou”. A partir daquele período apareceu nas capelas paulinas a inscrição que em sonho ou em revelação o Divino Mestre Jesus Cristo dirigiu ao Fundador: Não temam – Eu estou com vocês – Daqui quero iluminar – Arrependam-se dos pecados.
Em 1924, veio à luz a segunda congregação feminina: as Pias Discípulas do Divino Mestre, para o apostolado eucarístico, sacerdotal e litúrgico. Para orientá-las na nova vocação, Padre Alberione chamou a jovem Úrsula – Irmã M. Escolástica Rivata.
Em outubro de 1938, Padre Alberione fundou a terceira congregação feminina: as Irmãs de Jesus Bom Pastor ou “Pastorinhas”, que se dedicam ao apostolado pastoral destinado a auxiliar os Pastores.
A Família que foi se completando em 1954, com a fundação da quarta congregação feminina, o Instituto Rainha dos Apóstolos para as Vocações (Irmãs Apostolinas) e, em 1960, dos Institutos de vida secular consagrada: São Gabriel Arcanjo, Nossa Senhora da Anunciação, Jesus Sacerdote e Sagrada Família. Dez Instituições (inclusive os Cooperadores Paulinos) unidas entre si pelo mesmo ideal de santidade e de apostolado: viver e anunciar Jesus Cristo Caminho, Verdade e Vida.
Nos anos de 1962-1965, o Padre Alberione foi protagonista silencioso, mas atento do Concílio Vaticano II, de cujas sessões ele participou, diariamente.
No dia 26 de novembro de 1971 deixou a terra para assumir o seu lugar na Casa do Pai. Padre Alberione viveu 87 anos.  Em 25 de junho de 1996 o papa João Paulo II assinou o Decreto por meio do qual eram reconhecidas as virtudes heroicas de Alberione.
Foi beatificado por João Paulo II, no dia 27 de abril de 2003, na Praça de S. Pedro, em Roma.
Bem-aventurado Tiago Alberione, rogai por nós!


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Mergulhar no mistério de Cristo com o coração, pede Papa
TERÇA-FEIRA, 24 DE outubro DE 2017, 8H57


O mistério de Cristo foi o centro da homilia do Papa nesta terça-feira
Da Redação, com Rádio Vaticano

O mistério de Jesus Cristo esteve no centro da homilia do Papa Francisco nesta terça-feira, 24, na capela da Casa Santa Marta.
A homilia do Pontífice teve como ponto de partida a Primeira Leitura do dia, extraída da Carta aos Romanos, na qual São Paulo usa contraposições – pecado, desobediência, graça e perdão – para que se possa compreender algo, mas sente que é “impotente” para explicar este mistério. Por detrás disso tudo, está a história da salvação, da criação, da queda e da redenção. São Paulo, disse o Papa, impulsiona os fiéis para que caiam no mistério de Cristo.
Essas contraposições, portanto, são somente passos no caminho para imergir-se no mistério de Cristo, que não é fácil de entender, considerou o Papa. É tão “superabundante”, “generoso”, “inexplicável” que não se pode entender com argumentações, porque estas levam até certo ponto. Para entender quem é Jesus Cristo, o Papa convida a imergir-se neste mistério.
O Santo Padre evidenciou que, quando se vai à Missa, as pessoas vão rezar, sabem que Jesus está na Palavra, que vem, mas isso não é suficiente para poder entrar no mistério. “Entrar no mistério de Jesus Cristo é mais, é deixar-se ir naquele abismo de misericórdia onde não existem palavras: somente o abraço do amor. O amor que o levou à morte por nós. Quando nós vamos nos confessar porque pecados – sim, devo tirar os pecados, digamos; ou “que Deus me perdoe os pecados” – vamos, contamos os pecados ao confessor e ficamos tranquilos e contentes. Se eu vou lá, vou encontrar Jesus Cristo, entrar no mistério de Jesus Cristo, entrar naquele abraço de perdão do qual fala Paulo; daquela gratuidade de perdão”.
Francisco ressaltou ainda que entender o mistério de Jesus Cristo não é uma coisa de estudo, porque Jesus é entendido somente por pura graça. É então assinalado um exercício de piedade que ajuda: a Via-Sacra, que consiste em caminhar com Jesus no momento em que dá “o abraço de perdão e de paz”.
“É bonito fazer a Via-Sacra. Fazê-la em casa, pensando nos momentos da Paixão do Senhor. Também os grandes Santos aconselhavam sempre começar a vida espiritual com este encontro com o mistério de Jesus Crucificado. Santa Teresa aconselhava as suas monjas: para chegar à oração de contemplação, a elevada oração que ela tinha, começar com a meditação da Paixão do Senhor. A Cruz com Cristo. Cristo na Cruz. Começar a pensar. E assim, tentar entender com o coração, que ‘me amou e deu a si mesmo por mim’, ‘deu a si mesmo até a morte por mim’”.
Na primeira leitura, São Paulo quer justamente revelar o abismo do mistério de Cristo, reiterou o Papa Francisco. “’Eu sou um bom cristão, vou à Missa no domingo, faço obras de misericórdia, recito as orações, educo bem os meus filhos’: isto está muito bem. Mas a pergunta que faço: “Você faz tudo isto: mas entra no mistério de Jesus Cristo? Aquilo que você não pode controlar… Peçamos a São Paulo, verdadeira testemunha, alguém que encontrou Jesus Cristo e deixou-se encontrar por Ele e entrou no mistério de Jesus que nos amou, deu a si mesmo até à morte por nós, que nos fez justos diante de Deus, que perdoou todos os pecados, também as raízes do pecado: de entrar no mistério do Senhor”.


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

“Bem-aventurado Timóteo Giaccardo
Primero Padre da Pia Sociedade de São Paulo.

José Timóteo Giaccardo, sacerdote Paulino, italiano, pertence à Congregação da Pia Sociedade de São Paulo. A originalidade de sua vida está em ter sido o primeiro sacerdote da Família Paulina e um fidelíssimo discípulo do Fundador, Padre Tiago Alberione. Nasceu em Narsole, norte da Itália. Sua família era pobre de bens materiais, mas rica de fé e virtudes cristãs. Em 1908 José encontrou-se pela primeira vez com o jovem padre Tiago Alberione que, em Narzole estava dando sua colaboração na paróquia. Padre Alberione, percebendo no pequeno José profunda piedade e grande vontade de ser padre; encaminhou-o para o seminário da diocese de Alba.

Tendo como guia espiritual padre Alberione, em 1917 José Timóteo entrou na "Obra de São Paulo" fundada em 1914 por seu mestre e cuja finalidade específica era a evangelização por meio da imprensa, a principal mídia da época. Desde cedo José Timóteo mostrou-se uma pessoa de profunda vida interior, desejosa de ser cada dia melhor e ajudar seus semelhantes no bem. Por isso com grande fé acatou as orientações de Padre Alberione que indicava uma nova forma de santidade e de evangelização.

José Timóteo, movido pela fé, foi fiel companheiro da "primeira hora", seguidor incondicional e colaborador ativo do Fundador da então nascente Família Paulina. Acompanhou todas as obras e todas as pessoas com grande perspicácia e sensibilidade. Além de alguns livros, deixou como preciosa herança espiritual um "Diário", rico da presença de Deus e desejos profundos de santidade para si mesmo e para todos. Sua fé em Deus e amor à missão fazia dele uma pessoa autêntica e radical. Lemos em seu "Diário": "Ó Jesus, quero viver de tua vida, transforma-me. Quero ser "outro Jesus" na minha vida e com todas as pessoas”. Diante das grandes dificuldades para a aprovação da Congregação das Discípulas do Divino Mestre (uma das congregações fundadas por Alberione) que se dedicam à missão eucarística, missão sacerdotal e missão litúrgica, padre Timóteo não mediu esforços nem súplicas. Diante das respostas negativas não hesitou em oferecer a própria vida para a garantir a existência na Igreja desta congregação, certamente querida por Deus.
E o importante é que Deus aceitou a oferta. Foi assim que ele, acometido por leucemia, veio a falecer alguns dias após a aprovação pontifícia das Discípulas do Divino Mestre, no dia 24 de janeiro de 1948. A aprovação chegara no dia 12 de janeiro de 1948.

Dele escreveu o Fundador: "De 1909 a 1914, quando a Divina Providência preparava a Família Paulina, ele, embora não entendendo tudo, teve clara intuição da obra. As luzes que recebeu da Eucaristia, sua fervorosa devoção Mariana, a reflexão sobre os documentos pontifícios o iluminaram sobre as necessidades da Igreja e sobre os meios modernos para anuncio do Evangelho”.
Desde 1917, ainda seminarista, orientava os mais novos; foi chamado e tornou-se para sempre: o senhor mestre: amado, ouvido, seguido e venerado por todos. Foi o mestre que a todos precedia com o exemplo, que ensinava, aconselhava e construía com suas orações iluminadas e fervorosas. Gravou, pode-se dizer, em cada pessoa sua marca, e imprimiu algo de si em cada coração dos Sacerdotes e Discípulos, das Paulinas, Discípulas e Pastorinhas e em todos aqueles que se aproximaram dele por motivos espirituais ou sócias e econômicos.

Foi mestre na oração: sabia falar com Deus. Vivia intensamente a devoção à eucaristia, a Nossa Senhora, à liturgia e nutria um grande amor à Igreja e ao Papa. Foi mestre na missão. Ele a sentia, a amava e a desenvolvia. Sabia suscitar energias, ser o sustento para os fracos e luz e sal, no sentido evangélico, para todos.
Foi o coração e a alma da Família Paulina. Quem quiser conhecer alguém que encarnou totalmente o ideal e o carisma da missão paulina em sua integralidade, deve olhar o "senhor mestre". (Alberione) A aprovação e o reconhecimento de suas virtudes, por parte da Igreja, não se fizeram esperar. Em 1985 foi declarado venerável. E a 22 de outubro de 1989, o Papa João Paulo II o declarou solenemente bem-aventurado.

"Que o Espírito Santo nos invada e nos guie para Deus e para a vida eterna. Sejamos cidadãos do céu, sejamos homens de eternidade. Que através de nossas palavras e de nossas obras se propague eficazmente e sempre em todos e em todo lugar, o mistério da vida eterna." Timóteo Giaccardo
“Bem-aventurado Timóteo Giaccardo

Interceda por nós e por toda a Família Paulina”.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Senhora Aparecida Padroeira, do Brasil

2017 é o ano que se comemora o Jubileu de 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, que teve sua imagem encontrada no ano de 1717 por pescadores do Rio Paraíba do Sul.
Mãe Negra e solidária de infinito esplendor!
300 anos de devoção a Maria
300 anos de oração com Maria
300 anos de adoração a Jesus
Nestas colinas de Aparecida
Hoje o Brasil celebra o dia de Nossa Senhora Aparecida, sua Padroeira.
Encontrada sob a forma de imagem negra para pobres pescadores, no ano de 1717, na cidade de Aparecida do Norte, em São Paulo. O local passou lentamente a ser referência de peregrinação. Poucos são os brasileiros que lá nunca estiveram. Esse acontecimento marcou época. A mãe de Deus se apresenta como padroeira dos pobres e negros escravos do Brasil de outrora.
A Maria do Magnificat, que canta a derrubada dos opressores e soerguimento dos pobres (Lc 1, 45-55) é a mesma negra de Aparecida, aquela que devolveu a alegria aos pobres pescadores com uma pesca milagrosa. Aparecida que virou Nossa Senhora Aparecida. Um título de rainha para uma mulher que marcou a humanidade desde sua terra natal, Nazaré. 
A Palavra de Deus, hoje, aponta-nos a figura da rainha Ester, aquela que foi agradável ao rei, que concedeu qualquer pedido que ela “a rainha” fizesse ao seu coração. E ela pediu pela sua vida e a de seu povo. A rainha Ester é o modelo de uma intercessora.

Maria é aquela que, diante do rei, diante do Senhor da Vida, intercede por nós, seu povo. Ela pede em favor da nossa vida, em favor de nossas necessidades. Por isso nos voltemos, hoje, de coração sincero, a devotarmos aquela que é a nossa Rainha, a padroeira do Brasil.
Há algo muito sublime no amor a Nossa Senhora. Primeiro, porque foi Deus quem a amou em primeiro lugar, como filha e depois como aquela que desposou do Espírito Santo. E dessa união do céu e da terra, no ventre de Maria, foi que aconteceu o maior dos milagres e a maior das graças que a terra já concebeu: o nascimento de Cristo Jesus, Nosso Senhor.

Maria foi o templo da grande graça divina. E é neste templo chamado ‘Maria’, é no ventre de Maria, que Deus continua gerando novos homens, uma nova humanidade. Quantas pessoas se convertem, mudam de vida, quantas pessoas são agraciadas pelos méritos, pela intercessão daquela que é medianeira das graças!
Maria, mãe de Deus, Senhora Aparecida, pedimos hoje pelo seu povo, o povo de Deus; os doentes, os aflitos, os necessitados, os desamparados, aqueles que só têm porto seguro no coração de Deus.
 1. Chamar a atenção para a piedade popular em torno à Nossa Senhora Aparecida, chamando a atenção para valores que vão além do devocional. Maria, chamada por nós de Aparecida, veio até nós para nos ensinar que temos que fazer tudo que ele, Jesus, nos disser. Encher nossos vasos de um bom vinho e sair para a luta.
2. Mostrar que as lutas das mulheres de hoje, assim como a de Ester, não podem ser esquecidas. Ester nos mostra que para vencer, precisamos estar solidários, homens e mulheres, na luta comum por dia melhores. Se temos fé, Deus caminha conosco. Isso basta.

Mãe de Deus, Senhora Aparecida, Rogai por nós e pelo Brasil que vive em momento crítico, político e econômico.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 4 de outubro de 2017
Boletim da Santa Sé
Tradução livre: Jéssica Marçal (Canção Nova)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Nesta catequese quero falar sobre o tema “Missionários de esperança hoje”. Estou feliz de fazê-lo no início do mês de outubro, que na Igreja é dedicado de modo particular à missão e também na Festa de São Francisco de Assis, que foi um grande missionário de esperança!
De fato, o cristão não é um profeta de desgraças. Nós não somos profetas de desgraças. A essência do seu anúncio é o oposto, o oposto da desgraça: é Jesus, morto por amor e que Deus ressuscitou na manhã de Páscoa. E este é o núcleo da fé cristã. Se os Evangelhos parassem na sepultura de Jesus, a história deste profeta teria se acrescentado às tantas biografias de personagens heroicos que gastaram a vida por um ideal. O Evangelho seria então um livro edificador e também consolador, mas não seria um anúncio de esperança.
Mas, os Evangelhos não se fecham com a sexta-feira Santa, vão além e é justamente esse fragmento ulterior a transformar as nossas vidas. Os discípulos de Jesus estavam abatidos naquele sábado depois da sua crucificação; aquela pedra rolada sobre a porta do sepulcro tinha fechado também os três anos entusiasmados vividos por eles com o Mestre de Nazaré. Parecia que tudo tivesse terminado e alguns, desiludidos e amedrontados, estavam já deixando Jerusalém.
Mas Jesus ressuscita! Este fato inesperado transforma a mente e o coração dos discípulos. Porque Jesus não ressuscita somente para si mesmo, como se o seu renascimento fosse uma prerrogativa do qual ser invejoso: sobe para o Pai é porque quer que a sua ressurreição seja participada por cada ser humano e leve para o alto cada criatura. E no dia de Pentecostes, os discípulos são transformados pelo sopro do Espírito Santo. Não terão somente uma bela notícia a levar a todos, mas serão eles mesmos diferentes de antes, como renascidos a uma vida nova. A ressurreição de Jesus nos transforma com a força do Espírito Santo. Jesus está vivo, está vivo entre nós, está vivo e tem aquela força de transformar.
Como é belo pensar que se é anunciadores da ressurreição de Jesus não somente com palavras, mas com os fatos e com o testemunho da vida! Jesus não quer discípulos capazes somente de repetir fórmulas aprendidas de memória. Quer testemunhas: pessoas que propagam esperança com o seu modo de acolher, de sorrir, de amar. Sobretudo de amar: porque a força da ressurreição torna os cristãos capazes de amar mesmo quando o amor parece ter perdido suas razões. Há um “mais” que habita a existência cristã e que não se explica simplesmente com a força da alma ou um maior otimismo. A fé, a esperança nossa não é só um otimismo; é outra coisa, mais! É como se os fiéis fossem pessoas com um “pedaço de céu” a mais sobre a cabeça. É bonito isso: nós somos pessoas com um pedaço de céu a mais sobre a cabeça, acompanhados por uma presença que alguém não consegue sequer intuir.
Assim, a tarefa dos cristãos neste mundo é aquele de abrir espaços de salvação, como células de regeneração capazes de restituir a linfa àquilo que parecia perdido para sempre. Quando o céu é nebuloso, é uma benção quem sabe falar de sol. Bem, o verdadeiro cristão é assim: não lamentoso e irritado, mas convencido, pela força da ressurreição, que nenhum mal é infinito, nenhuma noite é sem término, nenhum homem é definitivamente errado, nenhum ódio é invencível pelo amor.
Certo, algumas vezes alguns discípulos pagarão caro preço por essa esperança dada a eles por Jesus. Pensemos em tantos cristãos que não abandonaram o seu povo, quando chegou o tempo da perseguição. Permaneceram ali, onde se era incerto também o amanhã, onde não se podia fazer projetos de nenhum tipo, permaneceram esperando em Deus. E pensemos em nossos irmãos, em nossas irmãs do Oriente Médio que dão testemunho de esperança e que oferecem a vida por este testemunho. Estes são verdadeiros cristãos! Estes levam o céu no coração, olham além, sempre além. Quem teve a graça de abraçar a ressurreição de Jesus pode ainda esperar no inesperado. Os mártires de todo tempo, com sua fidelidade a Cristo, dizem que a injustiça não é a última palavra na vida. Em Cristo ressuscitado podemos continuar a esperar. Os homens e as mulheres que têm um “porque” viver resistem mais que os outros nos tempos de desgraça. Mas quem tem Cristo a seu lado verdadeiramente não teme mais nada. E por isso os cristãos, os verdadeiros cristãos, nunca são homens fáceis e acomodados. Sua mansidão não deve ser confundida com um sentido de insegurança e de remissividade. São Paulo diz a Timóteo a sofrer pelo Evangelho e diz assim: “Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de força, de caridade e de prudência” (2 Tm 1, 7). Caídos, se levantam sempre.
Eis, queridos irmãos e irmãs, porque o cristão é um missionário de esperança. Não por seu mérito, mas graças a Jesus, o grão que, caído na terra, morreu e trouxe muito fruto (cfr Jo 12, 24).



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Os anjos da guarda
Os anjos da guarda não foram colocados ao nosso lado apenas para proteger-nos de acidentes ou desastres físicos. A sua missão na Terra é muito maior do que comumente se imagina.
O que a Igreja ensina a respeito dessas criaturas? Elas realmente existem? Como se comportam em relação à vontade de Deus e em relação a nós? Descubra, neste episódio do programa "A Resposta Católica", qual a missão dos nossos anjos protetores.
A Igreja sempre acreditou na existência dos santos anjos da guarda, a partir do testemunho das próprias Sagradas Escrituras. Nosso Senhor, por exemplo, ao pedir que não se escandalizassem os pequeninos, disse que "os seus anjos, no céu, contemplam sem cessar a face do meu Pai que está nos céus" [1]. Em um episódio relatado nos Atos dos Apóstolos, a comunidade cristã, que rezava por São Pedro enquanto ele era mantido na prisão, confundiu a sua presença com a de seu anjo [2]. Por fim, o Catecismo da Igreja Católica ensina que "cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida [zoé]" [3].

A partir desta citação de São Basílio Magno, fica bem evidente que a missão dos anjos da guarda é "conduzir à vida", ao Céu, os seres humanos. Mesmo já contemplando a Deus face a face, eles receberam na Terra a missão de levar os homens à Pátria Celeste. O seu ofício não é, pois, uma simples "proteção física", como se os anjos existissem tão somente para ajudar criancinhas a atravessarem a rua. Trata-se de uma missão eminentemente espiritual, cujo foco é a salvação eterna das almas – mesmo que, para isso, se passe por sofrimentos, doenças ou tragédias.
Santo Tomás de Aquino, ao questionar se "os anjos sofrem pelos males dos que guardam", responde:
"Os anjos não sofrem nem pelos pecados, nem pelas penas dos homens. No dizer de Agostinho, tristeza e dor resultam do que contraria a vontade. Ora, nada acontece no mundo que contrarie a vontade dos anjos e dos demais bem-aventurados, porque suas vontades aderem perfeitamente à ordem da divina justiça. Com efeito, nada acontece no mundo que não seja feito ou permitido pela justiça divina. Portanto, absolutamente falando, nada acontece no mundo que contrarie a vontade dos bem-aventurados.

Todavia, o Filósofo diz no livro III da Ética, que se diz voluntário de modo absoluto aquilo que alguém quer em particular quando age, isto é, consideradas todas as circunstâncias, embora considerado em geral fosse voluntário. Por exemplo, o navegante que não quer de modo absoluto e em geral atirar as mercadorias ao mar, mas que, na iminência de um perigo de vida, o quer. Um gesto assim é mais voluntário que involuntário como aí mesmo se diz. Assim os anjos, falando de modo geral e absoluto, não querem que os homens pequem e sofram. Mas querem que a respeito disso seja guardada a ordem da justiça divina segundo a qual alguns são sujeitos a penas, sendo-lhes permitido pecar" [4]
Então, os anjos da guarda querem e lutam pela salvação dos homens – inspirando-os, iluminando-os e, às vezes, até realizando milagres e lutando contra os próprios demônios. Como são instrumentos santos que possuem inteligência e são livres, eles são chamados de "ministros", pois foram colocados por Deus ao nosso serviço.
São João Bosco, ao recomendar a invocação ao anjo da guarda na hora das tentações, dizia que "ele deseja ajudar você mais do que você deseja ser ajudado por ele". Por isso, não deve haver dificuldade alguma em pedir o auxílio dos nossos santos anjos: não precisamos convencê-los, mas apenas abrir-nos à sua ação.
Referências
1.      Mt 18, 10
2.      Cf. At 12, 6-15
3.      Catecismo da Igreja Católica, 336
4.      Suma Teológica, I, q. 113, a. 7


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Em missa na Casa Santa Marta, Papa Francisco convida
 a todos a reconhecer a consolação
25/09/2017 Santa Sé

O papa Francisco começou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta, na segunda-feira, 25 de setembro. Em sua homilia, Francisco comentou a Primeira Leitura, que narra o momento no qual o povo de Israel é libertado do exílio: “o Senhor visitou o seu povo e o conduziu de volta a Jerusalém”, destacou o pontífice.
A palavra “visita”, explicou o papa, é “importante” na história da salvação, porque “toda libertação, toda ação de redenção de Deus é uma visita”: “Quando o Senhor nos visita nos dá a alegria, isto é, nos leva a um estado de consolação. Este dar alegria… Sim, semearam nas lágrimas, mas agora o Senhor nos consola e nos dá esta consolação espiritual. E a consolação acontece não só naquele tempo, é um estado na vida espiritual de todo cristão. Toda a Bíblia nos ensina isso”.
Francisco exortou a “esperar”, portanto, a visita de Deus “a cada um de nós”. Existem “momentos mais fracos” e “momentos mais fortes”, mas o Senhor “nos faz sentir a sua presença” sempre, com a consolação espiritual, enchendo-nos “de alegria”.
Neste sentido, esperar este evento com a virtude “mais humilde de todas”: a esperança, que “é sempre pequena”, mas “tantas vezes é forte quando está escondida como as brasas sob as cinzas”. Assim, o cristão vive “em tensão” pelo encontro com Deus, pela consolação “que dá este encontro com o Senhor”. Se um cristão não está em tensão por tal encontro é – acrescenta o papa – um cristão “fechado”, “meio que no depósito da vida”, sem saber “o que fazer”.
O convite, então, é para “reconhecer” a consolação, “porque existem falsos profetas que parecem nos consolar, mas pelo contrário, nos enganam”. Esta não é “uma alegria que se pode comparar”: “A consolação do Senhor toca dentro e te move, faz aumentar em ti a caridade, a fé, a esperança e também te leva a chorar pelos [teus] próprios pecados. E também quando olhamos para Jesus e para a Paixão de Jesus, chorar com Jesus. E também te eleva a alma para as coisas do Céu, para as coisas de Deus e também, acalma a alma na paz do Senhor. Esta é a verdadeira consolação. Não é uma diversão – a diversão não é uma coisa má quando é boa, somos humanos, devemos tê-la -, mas a consolação te envolve e justamente a presença de Deus se sente e se reconhece: este é o Senhor”.

O papa recorda de agradecer – com a oração – o Senhor “que passa” para nos visitar, para nos ajudar a “a ir para frente, para esperar, para carregar a Cruz”. Enfim, pede para conservar a consolação recebida: “É verdade, a consolação é forte e não se conserva assim forte – é um momento – mas deixa seus traços. E conservar esses traços, e conservar com a memória; conservar como o povo conservou esta libertação. Retornamos a Jerusalém porque Ele nos libertou de lá. Esperar a consolação, reconhecer a consolação e conservar a consolação. E quando esse momento forte passa o que permanece? A paz. E a paz é o último nível da consolação”.