quinta-feira, 21 de setembro de 2017

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Boletim da Santa Sé

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A catequese de hoje tem como tema: “educar à esperança”. E por isso eu a dirigirei diretamente, com o “você”, imaginando falar como educador, como pai a um jovem ou a qualquer outra pessoa aberta a aprender.
Pense, ali onde Deus te semeou, espere! Sempre espere.
Não se arrende à noite: recorde que o primeiro inimigo que deve ser submetido não está fora de você, está dentro. Portanto, não conceder espaço aos pensamentos amargos, obscuros. Este mundo é o primeiro milagre que Deus fez e Deus colocou nas nossas mãos a graça de novos prodígios. Fé e esperança caminham juntos. Acredite na existência das verdades mais altas e belas. Confie em Deus Criador, no Espírito Santo que move tudo para o bem, no abraço de Cristo que espera cada homem ao fim de sua existência; acredite, Ele te espera. O mundo caminha graças ao olhar de tantos homens que abriram frestas, que construíram pontes, que sonharam e acreditaram; mesmo quando ao seu redor ouviam palavras de escárnio.
Não pense nunca que a luta que se faz aqui embaixo seja de tudo inútil. No fim da existência não nos espera o naufrágio: em nós palpita uma semente de absoluto. Deus não desilude: se colocou uma esperança nos nossos corações, não a quer tirar com contínuas frustrações. Tudo nasce para florescer em uma eterna primavera. Também Deus nos fez para florescermos. Recordo aquele diálogo, quando o carvalho perguntou à amendoeira: “Fala-me de Deus”. E a amendoeira floresceu.
Onde quer que você esteja, construa! Se você está na terra, levante-se! Não permaneça nunca caído, levante-se, deixe-se ajudar para ficar de pé. Se está sentado, coloque-se em caminho! Se o tédio o paralisa, realize obras de bem! Se se sente vazio ou desmoralizado, peça que o Espírito Santo possa novamente encher o teu nada.
Promova a paz em meio aos homens e não ouça a voz de quem espalha ódio e divisões. Não ouça estas vozes. Os seres humanos, por mais que sejam diversos uns dos outros, foram criados para viverem juntos. Nos contrastes, paciência: um dia descobrirás que cada um é depositário de um fragmento de verdade.
Ame as pessoas. Ame-as uma a uma. Respeite o caminho de todos, linear ou difícil que seja, porque cada um tem a sua história a contar. Também cada um de nós tem a própria história a contar. Cada criança que nasce é a promessa de uma vida que ainda uma vez se demonstra mais forte que a morte. Todo amor que surge é um poder de transformação que deseja a felicidade.
Jesus nos entregou uma luz que brilha nas trevas: defenda-a, proteja-a. Aquela única luz é a maior riqueza confiada à sua vida.
E sobretudo sonhe! Não tenha medo de sonhar. Sonhe! Sonhe um mundo que ainda não se vê, mas que de certo chegará. A esperança nos leva a acreditar na existência de uma criação que se estende até o fim ao seu cumprimento definitivo, quando Deus será tudo em todos. Os homens capazes de imaginação deram ao homem descobertas científicas e tecnológicas. Atravessaram oceanos, pisaram terras que ninguém antes havia pisado. Os homens que cultivaram esperanças são também aqueles que venceram a escravidão e levaram melhores condições de vida sobre esta terra. Pensem nestes homens.
Seja responsável por este mundo e pela vida de cada homem. Pense que cada injustiça contra um pobre é uma ferida aberta e diminui a sua própria dignidade. A vida não cessa com a sua existência e neste mundo virão outras gerações que sucederão a nossa e tantas outras ainda. E cada dia peça a Deus o dom da coragem. Lembre-se que Jesus venceu por nós o medo. Ele venceu o medo! O nosso inimigo mais difícil não pode nada contra a fé. E quando você estiver com medo diante de qualquer dificuldade da vida, lembre-se que você não vive somente por si mesmo. No Batismo, a sua vida já foi imersa no mistério da Trindade e você pertence a Jesus. E se um dia você se apavorasse, ou se pensasse que o mal é muito grande para ser desafiado, pense simplesmente que Jesus vive em ti. E é Ele que, através de ti, com a sua mansidão quer submeter todos os inimigos do homem: o pecado, o ódio, o crime, a violência; todos nossos inimigos.
Tenha sempre a coragem da verdade, porém lembre-se: você não é superior a ninguém. Recorde-se disso: você não é superior a ninguém. Se você permanecesse também o último a acreditar na verdade, não se refugiar, por isso, da companhia dos homens. Mesmo se você vivesse no silêncio de um ermo, leva em teu coração os sofrimentos de cada criatura. Você é cristão; e na oração tudo entregue a Deus.
E cultive ideais. Viva por algo que supera o homem. E se um dia esses ideais pedissem a você uma conta salgada para pagar, nunca deixe de levá-los em teu coração. A fidelidade obtém tudo.
Se você erra, levante-se: nada é mais humano que cometer erros. E esses mesmos erros não devem se tornar para você uma prisão. Não se engaiole em seus erros. O Filho de Deus veio não para os sãos, mas para os doentes: portanto veio também para você. E se você errar ainda no futuro, não temas, levante-se! Sabe por que? Porque Deus é teu amigo.
Se te atinge a amargura, acredite firmemente em todas as pessoas que ainda trabalham pelo bem: na humildade deles há a semente de um mundo novo. Frequente pessoas que conservaram o coração como aquele de uma criança. Aprenda com a maravilha, cultive o estupor.
Viva, ame, sonhe, acredite. E com a graça de Deus, nunca se desespere.


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Abrir-se à alegria e ao perdão são os pedidos do Papa no Angelus

DOMINGO, 17 DE SETEMBRO DE 2017
O Santo Padre se inspira em passagem de Mateus em sua reflexão dominical

Papa Francisco pede que fieis se concentrem no perdão
Da redação, com Rádio Vaticano

Em sua reflexão que precede a oração mariana do Angelus deste domingo, 17, o Papa Francisco dedicou-se a temas como o perdão, inspirando-se na passagem de Mateus proposta pela liturgia do dia.

“Perdoar setenta vezes sete, ou seja, sempre”, é a resposta de Jesus a Pedro ao ser questionado por ele sobre quantas vezes deveria perdoar. Se para ele perdoar sete vezes uma mesma pessoa já parecia ser muito, “talvez para nós pareça muito fazê-lo duas vezes”, observou Francisco.
O Papa coloca Jesus e o perdão em perspectiva por meio da parábola do “Rei misericordioso e do servo perverso, que mostra a incoerência daquele que antes foi perdoado e depois se recusa a perdoar”: “A atitude incoerente deste servo é também a nossa quando rejeitamos o perdão aos nossos irmãos. Enquanto o rei da parábola é a imagem de Deus que nos ama com um amor tão rico de misericórdia, que nos acolhe, nos ama e nos perdoa continuamente”.
O Santo Padre recordou ainda que com o nosso batismo, Deus nos perdoa de uma “dívida insolvível”, e continua a nos perdoar “assim que mostramos um pequeno sinal de arrependimento”.
E Francisco deu um conselho para quando houver dificuldade em perdoar: “Quando somos tentados a fechar o nosso coração a quem nos ofendeu e nos pede desculpa, nos recordemos das palavras do Pai Celeste ao servo perverso: “eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?”.
Depois o Papa lembrou a oração do Pai Nosso para explicar o perdão: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos quem nos tenha ofendido. O perdão de Deus é o sinal de seu amor transbordante por cada um de nós; é o amor que nos deixa livres para nos afastar, como o filho pródigo, mas que espera a cada dia o nosso retorno; é o amor contínuo do pastor pela ovelha perdida; é a ternura que acolhe todo pecado que bate à sua porta. O Pai celeste é pleno de amor e quer oferecê-lo, mas não o pode fazer se fechamos o nosso coração ao amor pelos outros”.
Por fim, o Papa pediu que “a Virgem Maria nos ajude a ser sempre mais conscientes da gratuidade e da grandeza do perdão recebido de Deus, para nos tornarmos misericordiosos como Ele, Pai bom, lento para a ira e grande no amor”.
Nós Consagrados no Senhor será que nos concentramos no perdão, as vezes os pequenos fatos nos tornam pessoas de coração duro, não somos capazes de perdoar, quando acontecem pequenas manifestações entre nós ou com pessoas no dia a dia de nossas vidas.

“Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete vezes”. O Perdão não consiste em responder a uma ofensa com outra ofensa, mas em fazer aquilo que diz São Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”.
O perdão consiste em dar a quem lhe prejudica, a possibilidade de estabelecer um novo relacionamento com você; consiste, portanto, em oferecer a ambos a possibilidade de recomeçar a vida, de ter um futuro onde o mal não tenha a última palavra. “Quantas vezes terei que perdoar a meu irmão, minha irmã?” Portanto, Jesus pensava sobretudo no relacionamento entre os cristãos, entre os membros da mesma comunidade. Por isso, é antes de tudo com os outros irmãos na fé que deve agir desta maneira: na família, no trabalho, na escola, ou em nossas comunidade etc.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

14/09/2017
Anunciar o evangelho e doar a própria vida (1Ts 2,8) – Introdução à primeira carta aos Tessalonicenses
Por Maria Antônia Marques
Na primeira carta aos Tessalonicenses, há expressões afetuosas, como a ternura de uma mãe “acariciando os filhos” (1Ts 2,7) ou: “Tratamos cada um de vocês como um pai trata seus filhos” (1Ts 2,11b). Impedidos de estar com a comunidade, os missionários afirmam: “Quanto a nós, irmãos, por algum tempo estivemos de vista separados de vocês, mas não de coração, e redobramos nossos esforços pelo ardente desejo de vê-los novamente” (1Ts 2,17).
Como mãe, pai e irmão, Paulo e seus colaboradores expressam forte laço familiar com a comunidade, sobretudo na primeira parte da carta (1Ts 1-3). Na segunda parte (1Ts 4-5), há orientações, palavras de encorajamento e exortações (1Ts 4-5): “Irmãos, nós lhes pedimos e encorajamos no Senhor Jesus: vocês aprenderam de nós como devem viver para agradar a Deus. Vocês já vivem assim, mas devem continuar progredindo” (1Ts 4,1); “Nós, que somos do dia, fiquemos sóbrios, revestindo a armadura da fé e do amor, e o capacete da esperança da salvação” (1Ts 5,8).
Contexto
É uma carta repleta de amor, alegria, preo­cupação e exortação! Considerando o contexto no qual a carta surgiu, compreende-se o imenso desejo dos missionários de estar com seus fiéis para “acariciar” e “encorajar”. Expulsos de Filipos, na Macedônia, por causa da perseguição da autoridade romana (1Ts 2,2), Paulo e Silas (Silvano) dirigiram-se à cidade de Tessalônica, capital da província, onde fundaram a comunidade. Aí também eles foram perseguidos, tendo de partir para Bereia, onde novamente foram ameaçados.
A perseguição só parou quando deixaram a Macedônia e chegaram a Atenas, província da Acaia, outra jurisdição romana. Em Atenas, Paulo enviou seu fiel colaborador Timóteo para verificar a situação da comunidade de Tessalônica. De volta, Timóteo encontrou Paulo em Corinto, dando-lhe a boa notícia da perseverança da comunidade e falando-lhe também sobre a tribulação e os problemas do cotidiano: “É que vocês se tornaram imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações” (1Ts 1,6).
As tribulações eram inevitáveis! Ao anunciar o evangelho de Jesus crucificado como Messias e salvador, Paulo e seus seguidores ameaçavam a sociedade escravagista, controlada pela força do império romano com a figura poderosa do imperador, messias e salvador: “O nosso evangelho não chegou a vocês apenas com palavras, mas também com poder, com o Espírito Santo, e com toda a convicção” (1Ts 1,5). No mundo escravista, o evangelho teve o poder de formar a comunidade na liberdade, na igualdade e na fraternidade. O evangelho de Jesus crucificado estava na contramão da proposta do império romano. Daí a perseguição!
A perseguição atingiu duramente Paulo, seus colaboradores e a comunidade, cujas vidas já eram bastante sofridas: a maioria dos membros da comunidade cristã de Tessalônica, como a de Corinto, era constituída por escravos. Trabalhadores braçais sem direito a cidadania, sofriam muito mais com a exploração, a violência e a humilhação: “Passamos fome e sede, estamos malvestidos, somos maltratados, não temos morada certa, e nos cansamos trabalhando com as próprias mãos” (1Cor 4,11-12; cf. 1Ts 2,9). Uma vida ameaçada! Por isso, é muito compreensível que a comunidade de Tessalônica esperasse ansiosamente pela vinda do Senhor Jesus, o dia da salvação: “Quanto a datas e momentos, irmãos, não é necessário escrever-lhes. Pois vocês sabem muito bem que o Dia do Senhor virá como ladrão à noite” (1Ts 5,1).
A vida ameaçada também faz parte da rea­lidade que experimentamos em nossa sociedade. Basta recordar algumas notícias nos meios de comunicação: “6 homens têm a mesma riqueza que 100 milhões de brasileiros juntos”; “Desemprego no Brasil atinge mais de 12 milhões”; “Dos 5 milhões de estabelecimentos rurais, a metade possui menos de 10 hectares, numa área de aproximadamente 7,9 milhões de hectares. Já os 37 maiores latifúndios possuem juntos 8,3 milhões de hectares”; “Hoje, no Brasil, temos 60 milhões de pobres e outros tantos milhões abaixo da linha de indigência”; “Onda de violência gera morte dentro e fora de presídios”; “A operação Lava Jato: fraude e corrupção na administração política”; “Desastre ambiental da Samarco”, entre tantas outras.
Má distribuição de renda, concentração da terra, desemprego, corrupção, violência, desastre ambiental, pobreza, fome, doença e morte ameaçam a vida cotidiana das pessoas. Como no tempo de Paulo, os poderosos de hoje, com sua ganância e ambição, sacrificam a vida humana e a mãe natureza: “Pois bem, sabemos que a criação inteira geme e sofre até agora com dores de parto” (Rm 8,22).

Com afeto e preocupação, Paulo e seus colaboradores escreveram a primeira carta aos Tessalonicenses, para encorajar e orientar a comunidade que estava ameaçada: “Sem cessar, lembramos a obra da fé, o esforço do amor e a constância da esperança que vocês têm no Senhor nosso Jesus Cristo, diante de Deus nosso Pai” (1Ts 1,3). É necessário fortalecer a perseverança da comunidade com a fé ativa, o amor fraterno e a esperança teimosa, como motor na caminhada, rumo à realização do projeto de Jesus crucificado e ressuscitado: para que nele nossos povos tenham vida. Junto com Paulo e seus companheiros, vamos colocar nossos pés na cidade de Tessalônica.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Papa à Comunidade Shalom: quebrem os espelhos e olhem para fora
Por Rádio Vaticano
Cerca de três mil jovens, famílias e sacerdotes da Comunidade Católica Shalom, oriundos de mais de 26 países, se encontram em Roma entre os dias 3 e 9 de setembro para celebrar os 35 anos da Comunidade. Na manhã desta segunda, o Papa os recebeu em audiência na Sala Paulo VI.

O fundador da Comunidade, Moysés Azevedo, dirigiu uma saudação em italiano ao Papa. A audiência consistiu em perguntas de jovens de várias nacionalidades e as respostas do Santo Padre. O Brasil foi representado por Mateus, de 22, que foi viciado em drogas e se converteu. A ele, o Papa perguntou quem foi melhor: Pelé ou Maradona?
Em clima descontraído, o Pontífice falou do anúncio do Evangelho, dos perigos da autorreferencialidade e do papel dos jovens na Igreja e na sociedade.
Quebrar os espelhos
“A cultura em que vivemos é muito egoísta, tem uma dose muito grande de narcisismo”, constatou Francisco, falando da consequência dessa cultura: contemplar a si mesmos e, portanto, ignorar os outros.
“O narcisismo produz tristeza, porque significa maquiar a alma todos os dias. É a doença do espelho. Quebrem os espelhos, jovens”, exortou o Papa. “O espelho engana. Olhem para fora, para os demais, fujam dessa cultura que vivemos, que é consumista e narcisista. E se quiserem olhar para o espelho, olhem para rir de si mesmos. Saber rir de si mesmo, isso nos dá alegria.”
Diálogo, promessa de futuro
Como conselho à Comunidade, Francisco apontou a necessidade do diálogo entre os jovens e os membros mais antigos. “É preciso passar a herança, o carisma, a vivência interior de vocês. Um dos desafios que este mundo nos pede é o diálogo entre os jovens e os idosos. Os jovens necessitam escutar os idosos para ouvir a sabedoria que chega do coração e os impulsiona adiante. Animem-se neste diálogo, que é promessa de futuro.”
O Papa concluiu com mais uma brincadeira, desta vez envolvendo o fundador. “Ao responder esta última pergunta fiquei com uma dúvida: Moysés é jovem ou idoso?” “Sou como o Senhor, Santo Padre”, respondeu Moysés, enquanto os integrantes da Comunidade gritavam “jovem”.
Convenção Shalom
Na parte da tarde, a Comunidade abre o Congresso Internacional de Jovens Shalom com a Santa Missa às 16h na Basílica de São João de Latrão. No dia 5 de setembro, o Congresso segue com palestras, shows, momentos de oração, além de pregação do fundador da Comunidade a partir das 9h, no Auditorium della Conciliazione em Roma. A missa será presidida pelo Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Cardeal Kevin Farrell.
No dia 7, a Convenção vai até Assis, a 130 quilômetros de Roma. O pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, ministra palestra para os participantes, a partir das 14h30, na Basílica papal de São Francisco. No dia 8, a programação se volta para a Liturgia Mariana pela Festa da Natividade de Nossa Senhora, a partir das 13h30, na Basílica Santa Maria Maior, em Roma. No dia 9, com conclusão do evento, um novo envio missionário através da pregação do padre francês Daniel-Ange com o tema “O Espírito Santo te envia à missão” e missa presidida pelo Cardeal Lorenzo Baldisseri, a partir das 9h, na Basílica de São Paulo fora dos muros.
A Comunidade
A Comunidade Católica Shalom, reconhecida pela Igreja Católica como Associação Internacional Privada de Fiéis, nasceu em Fortaleza (Brasil), em 9 de julho de 1980, através do jovem de 20 anos, Moysés Azevedo, que quis dar, como presente a Deus, sua vida e sua juventude ao serviço da Igreja para a evangelização de outros jovens. Isso aconteceu por ocasião da visita de São João Paulo II ao Brasil naquele ano. Exatamente dois anos depois, foi inaugurado o seu primeiro Centro de Evangelização, que surgiu como uma lanchonete para evangelizar os jovens. Desde então, partindo do Brasil e chegando atualmente a 30 países, desenvolve trabalhos de evangelização variados, sempre tendo como protagonistas os jovens.
Em vista da peregrinação à Cidade Eterna, a Penitenciaria Apostólica do Vaticano concedeu aos milhares de fiéis a indulgência plenária.



quarta-feira, 14 de junho de 2017

CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 14 de junho de 2017
Boletim da Santa Sé
(Fonte Canção Nova)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje fazemos esta audiência em dois lugares, mas ligados pelas telas: os doentes, para que não sofram tanto no calor, estão na Sala Paulo VI, e nós aqui. Mas permanecemos todos juntos e nos conecta o Espírito Santo, que é aquele que sempre faz a unidade. Saudemos aqueles que estão na Sala!
Ninguém de nós pode viver sem amor. E uma bruta escravidão em que podemos cair é aquela de acreditar que o amor deve ser merecido. Talvez boa parte da angústia do homem contemporâneo deriva disso: acreditar que se não somos fortes, atraentes e belos, então ninguém se ocupará de nós.
Tantas pessoas hoje procuram uma visibilidade somente para preencher um vazio interior: como se fôssemos pessoas eternamente necessitadas de confirmações. Porém, imaginem um mundo onde todos mendigam motivos para suscitar atenção dos outros e ninguém, em vez disso, está disposto a querer o bem gratuitamente a uma outra pessoa? Imaginem um mundo assim: um mundo sem a gratuidade de querer bem! Parece um mundo humano, mas na verdade é um inferno. Tantos narcisismos do homem nascem de um sentimento de solidão e de orfandade. Por trás de tantos comportamentos aparentemente inexplicáveis está uma pergunta: é possível que eu não mereça ser chamado pelo nome, isso é, ser amado? Porque o amor sempre chama pelo nome…
Quando a não ser amado ou não sentir-se amado é um adolescente, então pode nascer a violência. Por trás de tantas formas de ódio social e de delinquência muitas vezes há um coração que não foi reconhecido. Não existem crianças más, como não existem adolescentes malvados, mas existem pessoas infelizes. E o que pode nos tornar felizes se não a experiência do amor dado e recebido? A vida do ser humano é uma troca de olhares: alguém que nos olhando nos arranca um sorriso e nós gratuitamente sorrimos a quem está fechado na tristeza e assim lhe abrimos um caminho de saída. Troca de olhares: olhar nos olhos e se abrem as portas do coração.
O primeiro passo que Deus dá para nós é aquele de um amor antecipado e incondicionado. Deus ama primeiro. Deus não nos ama porque em nós há qualquer razão que suscita amor. Deus nos ama porque Ele mesmo é amor, e o amor tende, por sua natureza, a difundir-se, a doar-se. Deus não liga nem mesmo a sua benevolência à nossa conversão: essa é uma consequência do amor de Deus. São Paulo diz de maneira perfeita: “Deus demonstra o seu amor por nós no fato de que, enquanto éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5, 8). Enquanto ainda éramos pecadores. Um amor incondicional. Éramos “distantes”, como o filho pródigo da parábola: “Quando ainda estava distante, seu pai o viu, teve compaixão…” (Lc 15, 20). Por amor nosso Deus realizou um êxodo de Si mesmo para vir nos encontrar nesse lugar onde era insensato que Ele passasse. Deus nos quis bem também quando estávamos errados.
Quem de nós ama dessa maneira, se não quem é pai ou mãe? Uma mãe continua a querer bem seu filho mesmo quando este filho está no cárcere. Eu recordo tantas mães, que faziam fila para entrar na prisão, na minha diocese anterior. E não se envergonhavam. O filho estava na prisão, mas era seu filho. E sofriam tantas humilhações nas pesquisas, antes de entrar, mas: “É o meu filho! ”. “Mas, senhora, seu filho é um delinquente! ” – “É o meu filho! ”. Somente este amor de mãe e de pai nos faz entender como é o amor de Deus. Uma mãe não pede o cancelamento da justiça humana, porque todo erro exige uma redenção, porém uma mãe nunca deixa de sofrer pelo próprio filho. Ama-o mesmo quando é pecador. Deus faz a mesma coisa conosco: somos os seus filhos amados! Mas pode ser que Deus tenha alguns filhos que não ame? Não. Todos somos filhos amados de Deus.
Não há maledição alguma sobre nossa vida, mas só uma benévola palavra de Deus, que deu sentido à nossa existência. A verdade de tudo é aquela relação de amor que liga o Pai com o Filho mediante o Espírito Santo, relação em que nós somos acolhidos pela graça. Nele, em Cristo Jesus, nós fomos queridos, amados, desejados. Há alguém que imprimiu em nós uma beleza primordial, que nenhum pecado, nenhuma escolha errada poderá jamais cancelar completamente. Nós somos sempre, diante dos olhos de Deus, pequenas fontes feitas para jorrar água boa. Disse Jesus à mulher samaritana: “A água que eu [te] darei se tornará em [ti] uma fonte de água que brota para a vida eterna” (Jo 4, 14).
Para mudar o coração de uma pessoa infeliz, qual é o remédio? Qual é o remédio para mudar o coração de uma pessoa que não é feliz? [Respondem: o amor] Mais forte! [gritam: o amor] Bravo! Bravo, bravo, todos! E como se faz uma pessoa sentir que alguém a ama? É preciso antes de tudo abraçá-la. Fazê-la sentir que é desejada, que é importante, e não será mais triste. Amor chama amor, de modo muito mais forte de quanto o ódio chama a morte. Jesus não morreu e ressuscitou por si mesmo, mas por nós, para que os nossos pecados sejam perdoados. É, portanto, tempo de ressurreição para todos: tempo de se elevar os pobres do desânimo, sobretudo aqueles que estão no sepulcro de um tempo muito maior do que três dias. Sopra aqui, sobre nossos rostos, um vento de libertação. Germina aqui o dom da esperança. E a esperança é aquela de Deus Pai que nos ama como nós somos: nos ama sem
Santíssima Trindade
Trindade é o sentido e a missão da Igreja, sacramento da unidade do gênero humano. Unidade da Trindade, pois, a Igreja é reunida pela unidade da Trindade! Essa relação de amor, em vista da vivência da comunhão, revela-se para nós como fundamento e estímulo da prática da caridade fraterna e do apostolado.  Trindade!  Deus belo e grande que não cabe em nossas categorias humanas.   Nem sabemos designa-lo.  O Bem, o Sumo Bem, a Ternura, a Paz. Uma eterna e adorável comunhão de amor. O Pai, eternamente Pai, gera eternamente o Verbo e entre ambos o sopro do Espírito.   O que nos resta é prostrarmo-nos em silenciosa e profunda adoração. Uma fornalha de amor. Um da Trindade veio morar em nós e nos levar para essa fornalha de amor.   No alto da cruz esse Filho amado nos entregou o Espirito. Confessar a Trindade é acreditar que Deus é um mistério de comunhão e amor.
Cremos no Pai, nesse Altíssimo e Bom Senhor, que é Pai. Cria agora os céus e a terra. Não estamos sós em nossa história, nesse mundo, em vitórias e fracassos, problemas e conflitos. Não vivemos esquecidos. Temos um Pai que tem os traços do pai do filho pródigo, que faz chover   sobre justos e pecadores, Pai que sustenta a vida, a nossa vida e a vida de tudo o que existe. Pai vivo, autor e alimentador da vida.  Ama. É o eterno amante. Nunca vai retirar de nós o seu amor e sua fidelidade.   Dele só brota amor. Fomos feitos à sua imagem e semelhança, por isso somos destinados ao amor. Só amando acertamos o passo na vida.  Jesus gostava de chama-lo de pai querido, de paizinho.
O Verbo, a Palavra que o Pai pronuncia é o Filho.   Ele é o grande presente que Deus deu ao mundo.  Viveu entre nós, conheceu a trama da vida de todos nós. Nasceu, cresceu em idade e graça, percorreu os caminhos da terra, falou, rezou, testemunhou, relacionou-se, demonstrou desafeto quando o projeto do Pai não era vivenciado, foi amado e rejeitado, teve amigos mais íntimos e mostrou um carinho todo especial para com os pecadores, os que falham na vida.  Ele se fez imagem do Pai.  Quem o via, via o Pai.  Seu nome é Emanuel.  Depois de sua ressurreição designamo-lo de Senhor.  Um Deus que nos amou até o fim.  Olhando para ele vemos o Pai. Nele podemos sentir Deus humano, próximo, amigo.  Fez-se mensageiro do Pai que nos quer ver como irmãos que se estimam e se amam.
O Espírito Santo é comunhão do Pai e do Filho. Ele é o amor eterno entre o Pai amante e Filho amado, aquele que revela que o amor divino não é possessão ciumenta do Pai nem açambarcamento egoísta do Filho, “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm  5,5).


segunda-feira, 12 de junho de 2017

05/06/2017
Papa: Praticar as obras de misericórdia é imitar Jesus mais de perto
Por Rádio Vaticano
As obras de misericórdia não sejam um dar esmolas para descarregar a consciência, mas um participar do sofrimento dos outros, mesmo a seu próprio risco e deixando-se incomodar. Foi o que disse o Papa na missa desta manhã de segunda-feira na Casa Santa Marta.

O ponto de partida da homilia do Papa Francisco foi a primeira leitura do Livro de Tobias. Os hebreus foram deportados para a Assíria: um homem justo, chamado Tobias, ajuda compatriotas pobres e – com o risco da própria vida – secretamente enterra os hebreus que são mortos impunemente. Tobias fica triste diante do sofrimento dos outros. Daqui a reflexão sobre 14 obras de misericórdia corporais e espirituais. Realizá-las – explica Francisco – não significa somente compartilhar o que se tem, mas compadecer:
“Isto é, sofrer com quem sofre. Uma obra de misericórdia não é fazer algo para descarregar a consciência: uma boa ação, assim estou mais tranquilo, tiro um peso das costas… Não! É também sofrer a dor dos outros. Compartilhar e compadecer: caminham juntos. É misericordioso aquele que sabe compartilhar e também se compadecer os problemas de outras pessoas. E aqui a pergunta: “Eu sei compartilhar? Eu sou generoso? Eu sou generosa? Mas também, quando vejo uma pessoa que está sofrendo, que está em dificuldade, também eu sofro? Sei colocar-me nos sapatos dos outros? Na situação de sofrimento?”.
Aos judeus era proibido enterrar seus compatriotas: eles mesmos poderiam ser mortos. Então Tobias corria perigo. Realizar obras de misericórdia – disse o Papa – não significa apenas partilhar e ter compaixão, mas também arriscar:
“Mas, muitas vezes se corre o risco. Pensemos aqui, em Roma. Em plena guerra: quantos se arriscaram, começando por Pio XII, para esconder os hebreus, para que não fossem mortos, para que não fossem deportados. Eles arriscaram a sua pele! Mas era uma obra de misericórdia, salvar a vida daquelas pessoas! Arriscar”.
O Papa Francisco enfatiza dois outros aspectos. Quem faz obras de misericórdia pode ser ridicularizado por outros – como aconteceu com Tobias – porque é considerada uma pessoa que faz coisas loucas, em vez de estar tranquilo. E é alguém que se incomoda:
“Fazer obras de misericórdia é desconfortável. “Mas, eu tenho um amigo, um amigo doente, gostaria de visitá-lo, mas … não tenho vontade … prefiro descansar ou assistir TV … tranquilo…”. Fazer obras de misericórdia é sempre desconfortável. É inconveniente. Mas o Senhor sofreu a inconveniência por nós: foi para a cruz. Para nos dar misericórdia”.
Quem “é capaz de fazer uma obra de misericórdia” – disse o Papa – é “porque sabe que ele recebeu misericórdia antes; que foi o Senhor a conceder misericórdia a ele. E se nós fazemos essas coisas, é porque o Senhor teve misericórdia de nós. E pensemos aos nossos pecados, aos nossos erros e a como o Senhor nos perdoou; perdoou-nos tudo, teve esta misericórdia” e “nós façamos o mesmo com os nossos irmãos”. “As obras de misericórdia – concluiu Francisco – são as que tiram você do egoísmo e nos fazem imitar Jesus mais de perto”.